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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Espanha

Madrid

Uma pequena decepção. Esperávamos que a cidade fosse mais bonita, mas não conseguimos nos empolgar. Visitamos o Museu do Prado e o Reina Sofia. Um com obras antigas, sendo várias renascentistas e o outro de arte moderna. Os dois valem muito a pena. Foi legal ver o Guernica de Picasso exposto, mas ver um quadro de Miró onde o cara só fez 3 pontos e uma linha na tela chegou a dar raiva.

Estávamos muito curiosos para conhecer um museu de historia espanhol principalmente algum que retratasse a era em que o país dominou, escravizou e aniquilou os povos americanos, mas não encontramos tal museu, não sabemos se existe e se sim, duvidamos que trate a situação em que foram invasores da mesma forma que tratam o período em que a França dominou a Espanha.

O que encontramos foi o Museu de Historia de Madrid. Então entendemos porque o país está quebrado e não voltará a ser país próspero se não houver ajuda externa. Um prédio enorme, onde
haviam naquele momento várias pessoas trabalhando, talvez 8 ou 10, entre recepcionistas, alguém para comandar o guarda-volumes, guardas, monitores por todo lado, etc. E só haviam duas maquetes da cidade e dois presépios. E quase ninguém visitando.

Enfim, a Europa já tinha dado o que tinha que dar. O bom foi que comemos paella quase todos os dias.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Grécia - parte 4

Kos

Pegamos um ferry noturno para Kos e, como estava vazio, pudemos ficar nos assentos da primeira classe. Melhor do que isso, pudemos dormir no carpete do ferry. De manhazinha chegamos em Kos.


Escolhemos essa ilha porque estava no nosso caminho para a Turquia, a apenas alguns quilômetros da costa deste país. Além de praias legais ela possui um forte de pedra antigo bem nos cais o que dá uma paisagem muito legal. Por dentro é um sitio arqueológico aberto a visitações gratuitas. Lá também tem um termas, mas quando descobrimos já estávamos no último dia e não animamos pegar ônibus pra ir.

Depois de 3 dias de praia partimos para a Turquia.

Os gregos

Apesar de estarmos pessimistas com o país devido à crise, quase não pudemos senti-la. Aliás, sentimos os efeitos positivos: os preços estavam bastante acessíveis. Não chegavam a ser baratos, mas o país não causou rombo no nosso orçamento. O calor humano dos gregos foi uma grata surpresa. Geralmente sorridentes e expansivos, são sensivelmente diferentes dos europeus de países mais ao norte. Foi uma excelente despedida da Europa. Se copiassem as receitas da culinária macedônia seria um país quase perfeito.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Grécia - parte 3

Santorini

Atenas até que tinha mais coisa que podia ser visitado, mas com o calor que fazia o melhor caminho seria fugirmos para uma das famosas ilhas gregas e escolhemos Santorini. Sem contar que se hospedar mal em Atenas estava ficando mais caro que um lugar melhor em uma praia. Na manhã do nosso terceiro dia no país pegamos um ferry para a ilha. Vale a pena fazer este tipo de viagem à luz do dia, para apreciar as paisagens. São incontáveis ilhas de uma formação rochosa muito bonita, com o solo árido contrastando com o mar azul grego, mundialmente famoso.


Santorini é um complexo de ilhas que são o que sobrou de uma enorme explosão vulcânica a cerca de 3500 anos. Como não há registros de restos mortais humanos dessa época, presume-se que a população local teve tempo de fugir da ilha. Mas como também não há registro de terem chegado a parte alguma, a hipótese mais aceita é que as embarcações que os levavam foram destruídas pelas ondas resultantes da explosão.


Descemos do ferry e uma multidão segurando cartazes de hotéis gritava para os recém chegados oferecendo seus serviços. Pegamos uma vã para Perissa, do outro lado da ilha, o lado barato. Como havia acabado a alta temporada, os preços estavam muito bons nessa praia e ficamos 3 dias lá. A praia é de areia escura e um bocado de pedregulho. Mas mesmo assim é muito bonita. A água é fria mas dá para entrar. Dezenas de mulheres faziam seus top less mas eu só tinha olhos para Pretinha. No hotel tinha piscina também e a gente pegava praia de manhã e piscina a tarde. Achamos um mercadinho que vendia vinho em garrafas pet baratinho. Não entendemos nada de vinho mas o fato é que gostamos e isto é o que importa.

Depois desses três primeiros dias subimos para Thira, a parte realmente famosa da ilha, onde todas as construções são branquinhas com detalhes azul. Ali a coisa fica cara. Mas encontramos o lugar mais barato da ilha. Uma mistura de camping e hotel, onde pechinchando bem conseguimos um quarto por 25 euros/dia.



Gastamos um dia inteiro em um passeio de barco onde visitamos a ilha central do vulcão, onde ainda se vê umas fumacinhas saindo da terra, uma pequena baía onde eles juravam que a água era quente, mas era apenas alguns graus menos fria que o restante e terminou com uma passagem pela ilha Thirassia.
 


O outro dia gastamos visitando a praia vermelha. Muito legal também. Pegamos um ônibus local e fomos. Na chegada há um sitio arqueológico todo emperiquitado, com cobertura, etc, mas não vimos nada demais lá e corremos para a praia. Além da areia vermelha desta praia, vimos mais água fria e transparente, mais top less e velhinhas europeias trocando de roupa na praia mesmo, sem frescura. Muito evoluídas essas europeias!


Ebulidor

Há um bom tempo tivemos a grande ideia de comprar um ebulidor. Aquele aparelhinho com uma extremidade de metal ligada a uma resistência usado para aquecer água. Com ele, mesmo em hotéis sem cozinha disponível poderíamos preparar um café ou até um macarrão instantâneo. Mas só fomos encontrar o danado na Bulgária, onde o vendedor nos disse: fiquem tranquilos porque isso foi feito na Bulgária e não na China.

Usamos algumas vezes sem problemas. Mas lá pela quarta ou quinta vez o treco começou a soltar um cheiro de queimado. Certa noite, no hotel em Santorini, Renilza foi usá-lo e soltou uma fagulha. Ela ficou com medo, mas decidimos continuar usando. Na noite seguinte Renilza estava na área da piscina usando internet e eu fui fazer nosso café. Quando introduzi o plug na tomada o treco estourou com um barulho seco e imediatamente o quarto ficou às escuras. Provavelmente foi um fusível que queimou, mas tivemos que trocar de quarto. Mas já estávamos de saída da ilha e por lá ficou nosso ebulidor búlgaro.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Grécia - parte 2

Atenas

A chegada em Atenas foi meio decepcionante. Depois que saímos do Brasil foi a primeira vez que pegamos um engarrafamento. A rodoviária, um horror! Feia, barulhenta, meio bagunçada. Lá pegamos um ônibus para o centro. Feio também. Calçadas e prédios desgastados, muitos camelôs, flanelinhas, alguns lugares lembravam a Avenida Paraná em BH. Mas aos poucos fomos nos entendendo com a cidade. Ficamos num hotel simples bem no centro, onde o proprietário, um senhor muito simpático nos deu todas as dicas. Descobrimos onde comer bem e barato, como chegar aos pontos turísticos e recebemos as já comuns recomendações para tomar cuidados com os batedores de carteiras.

Entrando em ação

Ao chegarmos em Atenas Renilza ostentava uma tremenda enxaqueca. Tadinha! Há pouco mais de um mês torceu o pé. Mal se recuperou e teve tilde na coluna. E ainda não tinha esquecido o trauma quando a dor de cabeça bateu. A sorte dela é que existe com ela a minha presença, que para ela já é a cura para todas as ziquiziras. Mas depois de se automedicar no dia seguinte estava pronta para quebrar o pau e fomos ver se Atenas melhorava a impressão inicial.

Compramos um bilhete unificado para vários locais e valeu a pena.

Começamos a caminhada pelas ruínas da antiga biblioteca. É algo de encher os olhos, mas como tinha coisa muito mais relevante nos esperando, só demos uma olhadinha. Seguimos uns turistas que pareciam saber aonde iam e chegamos ao templo de Hephaistos. Agora sim. Se trata de um complexo de ruínas onde há milênios era uma cidade (ou quase isto), com praças, antigos canais e o templo propriamente dito em cima de um cocuruto de colina, dominando a paisagem. Tudo é muito impressionante.


Dentro do complexo tem também um museu com achados arqueológicos dali. Interessante, mas o que nos atraiu mesmo foi a sombra que ele proporcionava. Estava fazendo muito calor. Subimos por uma trilha toda pavimentada e chegamos à Acrópoles. Ela já impressiona quando vista de longe, da parte moderna da cidade. De perto então! O problema é um certo tipo de pessoas que insiste em visitar os mesmos lugares famosos ao mesmo tempo que a gente (os outros turistas).


E dá-lhe fila. Os ônibus chegam às dezenas e vomitam as multidões. Fazer o que! Fomos juntos. Apesar de estar tudo em ruínas é difícil de acreditar como o que ainda resta pode sobreviver a tantas barbaridades. Depois do fim do Império Romano o templo foi:

- Saqueado;
- Abandonado;
- Incendiado;
- Esculturas foram arrancadas por cristãos que julgavam aquilo paganismo;
- O Templo de Atenas foi transformado em Igreja Católica (que vergonha dos meus irmãos em cristo!); depois foi transformado em mesquita pelos turcos;
- Explodido;

Não necessariamente nesta ordem.

Mas o que resta, combinado com a vista panorâmica do entorno paga fácil a viagem a Atenas. Não é preciso ser especialista no assunto para entender que o gênio humano teve ali um de seus apogeus. A qualidade das construções e esculturas é muito alta. Passamos no Museu da Acrópole de Atenas e aprendemos muito sobre a cultura grega. Este museu é um excelente complemento do passeio às ruínas, na parte didática. Tem a apresentação de um vídeo que mostra todas as etapas da história de Acrópoles. Além de mais um ponto de descanso na sombra, pois lá fora estava fervendo.

Não muito distante, visitamos o templo de Zeus. O templo tem uma história interessante e a sua construção é citada no livro A Política, de Aristóteles.


O que mais atrai turistas para a Grécia são os cruzeiros por suas ilhas. Mas ir até lá e não dar uma passadinha nesses locais históricos é um desperdício muito grande.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Grécia - parte 1

História da Grécia

A importância da Grécia na história da humanidade está concentrada no fato de há mais de 2800 anos suas cidades Estados terem sido o berço da civilização ocidental e, ainda mais importante, desenvolveram e experimentaram a democracia e estabeleceram os princípios dos direitos individuais. Esses dois fatores são hoje reconhecidos pela maior parte dos povos como o que há de melhor para a convivência em sociedade. As cidades Estados eram independentes entre si, mas compartilhavam a mesma cultura.

As organizações sociais daquele povo proporcionaram um longo período de prosperidade, quando o homem pode desenvolver sua máxima habilidade em vários campos. A arte da guerra conheceu com eles alguns princípios que até hoje são úteis. A fartura de ruínas de teatros, chegando à capacidade de mais de 20 mil pessoas é um sintoma fortíssimo de que a dramaturgia já naquela época atingira o seu auge. A matemática, a arquitetura, as artes plásticas a filosofia e o complexo mundo da mitologia grega mostram que este povo conseguiu criar um oásis social em meio ao deserto de selvageria que reinava no ocidente.

O período áureo foi por volta do século V a.C., quando Péricles, Platão e Sócrates estavam em ação. Alexandre o Grande, natural da Macedônia quando dominou quase todo o mundo conhecido levou consigo a cultura grega. 

As Cidades Estados na antiguidade nunca se uniram em um governo central. Destaque para a Guerra do Peloponeso, que envolveu praticamente todos os povos da região, teve como principal resultado o enfraquecimento generalizado de todas as cidades. A falta de uma centralização do poder entre os gregos facilitou o domínio do Império Romano, concretizado em 146 a.C..

Mas, devido à admiração que a cultura grega exercia sobre os romanos, esta continuou prosperando, porém junto à romana, dando origem a uma nova fase na produção cultural do ocidente.

Após o colapso do Império Romano, o domínio da Grécia foi herdado pelo Império Bizantino e depois ela fez parte do Império Otomano.

Em 1829, finalmente a Grécia conseguiu sua independência e passou a existir como um país. Mas as crenças do povo da Grécia antiga já haviam se transformado em mitologia e a nação hoje é predominantemente cristã ortodoxa.

A população do país é de quase 12 milhões de pessoas e tem um elevado nível de desenvolvimento humano. O país recebe quase 20 milhões de turistas todos os anos e ainda é o maior produtor de navios comerciais do mundo. Porém, a crise enfrentada nos últimos anos chegou a por em cheque a permanência do país na União Europeia e a continuidade do uso do Euro.

domingo, 11 de novembro de 2012

Macedônia - parte 4

Bitola

Mais uma cidade agradável da Macedônia, porém, sem muito que oferecer para o turista. Rolava um festival de cinema e a cidade estava um pouco agitada. Mas nós não participamos de nada. Visitamos umas ruínas em um sítio arqueológico que preservava partes de um teatro e um bocado de parede e pilastras. Mas nada perto do que esperávamos ver na Grécia. De Bitola pegamos um táxi até Florina, já na Grécia. Passamos a fronteira sem o menor trabalho. O taxista levou nossos passaportes aos agentes de fronteira e nos trouxe já carimbados.


Comida

O macedônio come bem. Os pratos e as porções são fartos. Usam muita carne, principalmente de boi, frango e porco. As saladas são grandes bonitas e saborosas. Destaque para uma salada típica (skopja ou algo assim) que leva tomate, pepino, azeitona e um queijo deles lá. Já no primeiro dia, em um restaurante indicado pelo albergue, vimos no cardápio algo muito parecido com o nosso “bife a cavalo”. Pra quem não conhece, é um bife com um ovo frito por cima. Porém, o macedônio tinha uma diferença: o bife na, verdade era uma fusão de um bife de boi, com um de porco e queijo no meio. Só de pensar dá vontade de voltar lá. Cá pra nós, tratando-se do que o povo come de verdade, no leste europeu se come bem melhor do que no lado ocidental. Mesmo considerando lugares famosos como Itália e França. Não estamos falando de restaurantes chiquérrimos e caros, porque estes tem que ser bons em qualquer lugar.


Despedida da Macedônia

Este país de história milenar, mas de organização recente, apesar de não ter nada que se possa chamar de imperdível nos foi muito agradável. Pessoas educadas e amigáveis, comida ótima, farta e barata. Enfim, facilmente poderíamos ficar mais dias por lá. Mas com Grécia e Turquia pela frente, não podíamos nos dar esse luxo.

sábado, 10 de novembro de 2012

Macedônia - parte 3

Ohrid

Seguimos para Ohrid. À margem do lago de água doce que divide com a Albânia, esta charmosa cidade é a principal atração do “litoral” da macedônia. Nos hospedamos a quinhentos metros do lago. Lugar legal, numa rua de pedestres repleta de lojas e restaurantes. Tínhamos como vizinha uma mesquita, de onde escutávamos as chamadas para as orações nos autofalantes.



As praias da cidade têm muito pedregulho misturado com a areia, e é meio cinza. Em Skopje juraram para a gente que a água era quente, e em Ohrid todos confirmaram. Mas nós não concordamos. Devia estar igual à de Cabo Frio ou Florianópolis. Tudo bem, até dava para entrar. Ainda mais sendo nós mineiros, que não tem direito de reclamar dessas coisas. Mas acabando não entrando, pois no dia que selecionamos para nadar choveu.

Depois de rodar pela cidade, fomos conhecer o Forte de Samuel. Se comparado com alguns que já conhecíamos não é muito grande. Mas tem o seu valor, além da bela vista da cidade e do lago que se pode ter de suas muralhas.



A cidade tem várias igrejas e mesquitas também, que valem algumas fotos. Outro ponto interessante é o teatro grego. Nos pareceu que foi reconstruído, ou no mínimo restaurado, devido ao estado. Até os assentos eram numerados. Não ligamos. Demos uns berros e eu até fiz um discurso para testar a acústica. Realmente os caras tinham noção das coisas. Vimos que sem forçar a voz era possível uma plateia de cerca de 2000 pessoas (cálculo meu) poderia me ouvir.

Passamos o meu aniversário em Ohrid. O pessoal do hotel, sabedor da importância da data porque viram no meu passaporte, nos presenteou com duas garrafinhas de vinho macedônio com um singelo bilhetinho “happy birthday, Mr Ricardo”.



Enfim, poderíamos ter feito um passeio de barco ou rodado mais pela cidade, mas preferimos reservar tempo para descansar e tirar o atraso do blog. Ao fim de 6 dias fomos para Bitola.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Macedônia - parte 2

Skopje

Se na Grécia o turista pode se cansar de ver ruínas de antigas construções de mármore, parece que Skopje tem uma proposta diferente. Aproveitando-se da rica história antiga da região, a cidade está construindo um centro turístico que parece tentar fazer novo tudo o que vemos em ruínas pela região. Ainda não está pronto, mas vários prédios, um calçadão, praças, monumentos, etc, estão ganhando vida. A grosso modo, não é nada original (há mais de 2000 anos se construía prédios com essa aparência), mas tá ficando bonito.


Mas Skopje não é só isto. A cidade é muito agradável, tem várias igrejas e mesquitas bonitinhas espalhadas, um enorme forte, que estava fechado para visitações e outros lugares interessantes que podem ocupar o visitante por alguns dias. Além disso, se hospedar e comer bem é muito barato, o que para viagens como a nós pode ser muito interessante. Às vezes é preciso parar por uns dias para descansar e reorganizar as coisas. Neste caso, nada como um lugar agradável cujo custo de vida seja baixo.


Canyon Matka

A 15 quilômetros a sudoeste de Skopje, o curso do Rio Treska esculpiu um canyon muito bonito, com paredões, florestas e cavernas. Veio o homem e colocou uma barragem para uma usina hidrelétrica e formou-se um lago. Algumas cavernas e construções foram afogadas, mas o lago ficou bonito. Foram construídos, abaixo da represa, uns desvios em partes do fluxo do rio, formando um local para competições de caiaque e rafting, além de proporcionar vários locais onde as pessoas podem nadar e fazer piquenique. Então, além de ser um ponto turístico, os moradores da região são os principais usuários


Chegamos lá com um grupo, em um free tour (onde só se paga ao guia o que achar justo, se quiser). Fomos os primeiros a alugar um caiaque e entrar na água. Apesar do calor, a água ali é fria e nem cogitamos nadar. Mas os moradores locais e alguns turistas nem ligam e nadam assim mesmo. Remamos rio acima por uns 35 minutos e deixamos 25 para o retorno. Massa demais. Depois pegamos uma trilha e exploramos a área até chegar num povoadozinho. Porém acabamos não indo nas cavernas. O tempo não era suficiente para ver tudo, mas mesmo assim valeu a pena.


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Macedônia - parte 1

Macedônia

Como são as coisas, não é?! Antes de iniciarmos esta viagem, nem sabíamos da existência deste país. Estávamos na Rússia quando um amigo que fizemos nessa viagem nos deu altas dicas. O depoimento do Ivan, croata e viajante experiente, foi o que faltava para cortar a Islândia. Ele conheceu o país e nos deu informações preciosas, principalmente sobre custos. Por outro lado, o Ivan nos apresentou a Macedônia e indicou o país como um lugar barato, onde se come bem e onde as pessoas são muito acolhedoras. Enfim chegamos à terra de Alexandre o Grande.

Um pouco de História

A República da Macedônia é um país novo, com 21 anos de existência. Mas o povo tem uma história bastante longa e confusa.

Para evitar confusão, alguns esclarecimentos. Existe nos Balcãs uma região chamada Macedônia. A maior fatia desta região está na Grécia. O restante está na República da Macedônia, Bulgária, Sérvia e Albânia. 35% dessa área fez parte da antiga Iugoslávia, com o nome de Macedônia (uma das 6 repúblicas constitutivas). Com o colapso do comunismo no leste europeu, a Iugoslávia se desmanchou. Neste processo, a Macedônia se declarou independente.

Porém, a Grécia deu o grito: não aceitava que o novo país tivesse este nome, por se tratar de uma região da Grécia e por pertencer ao passado cultural do país. Assim ela entrou na ONU com o nome “Antiga República Iugoslava da Macedônia”. Mas com o tempo, todo mundo passou a se referir ao país como Macedônia mesmo.

Entendo as duas partes. Façamos analogia à Amazônia. Todos sabemos que a maior parte da floresta está no Brasil. Mas vários vizinhos preservam a floresta em seu território, inclusive usando o nome da floresta como o de uma região. Imagine, por exemplo, que a região chamada Amazônia na Venezuela consiga independência e se declare ao mundo com o nome de Amazônia. Vai dar um bafafá. O Brasil não vai aceitar, mas este é o único nome com o qual os habitantes daquele país se reconhecem. Complicado mesmo.

Pois é, ao longo dos séculos a região foi dominada por eslavos, búlgaros, pelo Império Bizantino e Império Otomano, turcos. Mas a história recente é marcada por ter sido parte da Iugoslávia, por ter sido comunista, pela independência obtida de forma pacífica e, enfim, por 21 anos que o país vem tentando se virar. Parece não estar mal. São dois milhões de habitantes, convivendo pacificamente como católicos ortodoxos, católicos romanos e muçulmanos. O PIB não é grande. Menor que o lucro de várias multinacionais. Mas com uma boa distribuição de renda, garante condições dignas de vida para grande parte da população.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Polônia - parte 5

Esclarecimento: em função do nosso interesse em visitar Israel e de alguns relatos sobre a imigração israelense vasculharem notebooks, facebook, etc., resolvemos adiar esta postagem para após nossa entrada em Israel, evitando assim alguns aborrecimentos.

Auschwitz

Ao longo desta viagem, Renilza e eu dezenas de vezes nos pegamos falando sobre o destino da humanidade. Vários foram os momentos em que concluímos que as chances de um futuro melhor, baseado na crescente melhora dos entendimentos entre nações e pessoas. Porém, em outros tantos momentos nos vemos em diálogos onde não conseguimos ver um futuro promissor para os seres humanos nas próximas décadas. A visita a Auschwitz nos joga mais uma vez nesta situação. Hoje o antigo campo de extermínio Auschwitz-Birkenau é um museu estatal. Nossa primeira impressão é que era possível fazer algo mais emocionante, aproveitando o histórico do lugar, com utilização de recursos como bonecos de cera. Mas em seguida, dado à incrível carga histórica do lugar, aceitamos que se tentassem tornar o museu mais realista com o uso desse tipo de recursos, seria necessário montar um ambulatório só para atender turistas vitimas de desmaios causados por fortes emoções.


Pra quem colou na escola, em junho de 1941, Segunda Guerra Mundial, o alto comando do governo alemão liderado por Adolf Hitler decidiu que todos os judeus encontrados na Alemanha e em terras dominadas deveriam ser concentrados para posterior extermínio de forma sistemática. Isto teria passado à história como “Solução Final da Questão Judaica”.

Um quartel militar da Polônia na localidade de Oświęcim, renomeado pelos alemães como Auschwitz, foi transformado em pouco tempo em campo para prisioneiros políticos e de guerra e em seguida para prisioneiros de vários grupos étnicos e religiosos, como ciganos, testemunhas de Jeová, comunistas e principalmente judeus. Todo mundo era pessimamente alimentado e abrigado e ao mesmo tempo forçado a trabalhos escravos seja na expansão do campo, seja em atividades agrícolas e também em indústrias que se instalaram ali, se aproveitando da mão de obra escrava. Mencionamos aqui duas empresas que usaram largamente o expediente e que hoje são mundialmente famosas: Siemens e Bayer.

Em 1941, o campo se tornou o maior e mais eficiente campo de extermínio em poder da Alemanha. Ali, usando antigos galpões e casas com suas frestas lacradas (câmeras de gás), judeus iam direto do trem, caminhando com calma (a maioria não sabia ou não acreditava que iam ser mortos) para dentro das construções. Ouviam que era para deixar seus pertences de forma organizada do lado de fora e que iam apenas tomar uma chuveirada para despiolhamento. Se despiam, entravam no galpão e a porta era fechada. Segundos depois, por algumas tampas no teto, eram jogadas latas de Zyclon B abertas. Este inseticida passava rapidamente, com o alívio da pressão, da forma sólida para gasosa. Algumas latinhas eram suficientes para matar centenas de pessoas. Minutos depois, todos estavam mortos. Prisioneiros judeus entravam, raspavam as cabeças dos mortos, arrancavam os dentes de ouro, anéis e o que de valor encontravam nos cadáveres e tudo era confiscado pelo governo alemão. Os mesmos prisioneiros levavam os corpos para os fornos para serem cremados (no início se usava valas comuns, mas era mais trabalhoso e o solo e rios da região foram contaminados, chamando a atenção da vizinhança). Tudo tinha que funcionar como numa indústria, pois os trens não paravam de chegar. Apenas os prisioneiros dos primeiros transportes (centenas de milhares) foram registrados. Na Solução Final, isso já não era mais necessário. Sendo assim, nunca saberemos quantas pessoas foram realmente assassinadas ali. Os números mais aceitos, baseados em testemunhos, cálculos do número de trens enviados de outros lugares e até pelo número de latinhas de Zyklon B encontradas, apontam entre 2,5 a 4 milhões de pessoas assassinadas só neste campo.

Pois bem. Pegamos um tour guiado em espanhol. Fomos levados a vários locais importantes do complexo de centenas de hectares. No Bloco 11 ocorriam torturas, julgamentos sumários, e outras mazelas. Numa delas, prisioneiros eram forçados a entrar em uma cela sem janelas por uma portinhola. Tinham cerca de 1m quadrado e eram espremidos lá quantos coubessem. Eram trancados e lá mantidos até morrerem de fome ou de outra coisa. Em outro bloco, há o registro fotográfico de milhares de vitimas dos primeiros tempos. E assim vai. Passamos pelo muro onde ocorriam os fuzilamentos, pela forca, pelas cercas... e a história vai sendo contada. Em outros galpões são mostrados milhares de roupas, sapatos, próteses de pernas, enfim, pertences dos judeus que foram deixados para trás quando o campo foi abandonado. Enfim, a sala que para nós é a mais cruel: nela é exposto em enormes vitrinas cerca de 7 toneladas de cabelos dos judeus que seriam vendidos a fábricas de tapetes e de outros utensílios. Inclusive, nesta sala está exposto um tapete com sua fabricação interrompida. Há vários montes de cabelo que ainda estão em tranças com as fitinhas, facilmente identificáveis como proveniente de crianças. Macabro, macabro, macabro. A visita segue. Vamos a galpões onde ocorriam as cremações, a uma locomotiva que trazia prisioneiros e a um monumento em homenagem aos mortos feito décadas depois da libertação, de estilo comum às centenas espalhados pelos países que um dia foram socialistas.

Algo inusitado: por todo o museu se pode ver dezenas de militares israelenses em visita e algumas vezes cantando canções judaicas e algo que parece ser um tipo de cerimônia. Grupos organizados de jovens de Israel também são vistos aos montes.

É um lugar marcante. Curiosamente, parece ser mais fácil ver na Polônia manifestações contra russos do que contra alemães. Acredito ser por dois motivos: o primeiro, a Rússia foi inimiga por séculos da Polônia. O Segundo, o longo período de domínio soviético. A Alemanha fez um estrago enorme na Segunda Guerra, mas foram “só” 6 anos. O nosso guia mesmo, demostrava ter mais raiva dos russos, que segundo ele, poderiam ter chegado a Aushwitz e o libertado bem antes do dia em que de fato isto aconteceu do que da Alemanha, que assassinara 6 milhões e Poloneses.

Na verdade, Auchwitz não foi libertado pelos russos. Foi abandonado pelos alemães e dias depois os russos chegaram e lá encontraram algumas milhares de vitimas ainda vivas, incluindo mais de mil crianças.

É um passeio triste, mas muito enriquecedor. Ali vimos que os homens ainda são muito toscos e que, esperamos estar enganados, mas ainda presenciaremos muitos absurdos nas próximas décadas.

Quisera eu errar nessa previsão, mas há alguns anos a maior potência militar atual invadiu o Iraque e causou a morte de centenas de milhares de pessoas apenas para continuar tendo acesso a petróleo barato. Outro exemplo ainda mais cruel: Israel, nação judia, formada por descendentes de várias pessoas que morreram no mesmo Auschwitz, massacra com requintes de crueldade a população palestina na faixa de gaza, usa fósforo branco (arma química proibida) em suas ofensivas, descumpre uma após outra resolução da ONU, promove bombardeios vingativos (por exemplo: um jovem palestino mata um soldado Israelense num atentado a bomba. Como o palestino morre no ato e não tem como ser punido, a casa dos pais do palestino é bombardeada). Recentemente uma foto correu a internet: soldados israelenses amarraram um menino de 13 anos à frente do jipe militar e assim entraram com ele em uma área ocupada por palestinos para evitar que o veículo fosse apedrejado. Ou seja, se os próprios judeus não aprenderam a serem mais humanos depois do holocausto, quem mais poderia ter aprendido alguma coisa?

Mas vamo que vamo...


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Bulgária - parte 2

Sófia

É um dos locais com ocupação humana contínua mais antiga na Terra. São mais de 7000 anos. Porém, pouca coisa restou anterior ao século VII. A cidade está um pouco melhor que Bucareste, mas também tem suas limitações. Porém, garante pelo menos uns três dias de atrações para os turistas mais exigentes.

Além de Ruse, na fronteira, foi a única cidade em que nos hospedamos. Ficamos ali por 4 dias, sendo um desses gastos em um passeio ao Monastério de Rila.

Fizemos um city tour de graça em uma tarde e vimos por fora boa parte do que há de melhor no centro histórico.


Monastério de Rila

Este monastério fica a cerca de 120 quilômetros ao sul de Sófia. Com quase 1000 anos de fundação o local é cercado de histórias e lendas. Se trata de uma das atrações turísticas mais importantes do país. Vários santos passaram por ali. O local conta com um museu e uma igreja Ortodoxa dentro do complexo. A igreja tem um dos interiores mais bonitos que já vimos.

Destaque para dois quadros em uma pilastra sendo o primeiro contendo a figura de 36 santos que passaram por ali. No segundo, em 36 quadrinhos correspondentes aos do primeiro, protegidos com vidro, pedaços de ossos de cada um. Relíquias que os fiéis entendem como sagradas. Vimos várias pessoas tocando o relicário e se benzendo. O Monastério é cercado por montanhas arborizadas e um riacho. Está bastante bem conservado e merece uma visita do viajante que chegar à Bulgária. 


Na volta para Sófia, paramos na Igreja Boyana. Trata-se de uma igrejinha bem pequenininha, do século XI que conseguiu resistir ao tempo e preserva em bom estado afrescos dessa época. Por isso é patrimônio da Humanidade da Unesco. Os cuidados para preservar o local são extremos. O interior da igrejinha é todo climatizado e só é permitida a entrada de 8 pessoas por vez. Fotos no interior são proibidas, mas por fora pode-se toma-las à vontade.



De saída

Não tínhamos planos muito ambiciosos para a Bulgária, principalmente porque desistimos de pegar praia no Mar Negro pelo menos por enquanto. Depois de 5 dias, pegamos um ônibus para Skopje, capital da Macedônia. No caminho, o porta-malas abriu com o busão em movimento e várias bolsas caíram e foram recuperadas. As nossas estavam do outro lado e nada sofreram. No início da tarde já estávamos sob o sol de Skopje.

sábado, 3 de novembro de 2012

Bulgária - parte 1

Nada sabíamos da Bulgária antes da Dilma se candidatar. Mas o país estava ali, de bobeira, no meio do nosso caminho pelo Leste Europeu. Entrou no nosso roteiro assim. Lá, o fato de ser brasileiro atrai muito as atenções. Todos os Búlgaros sabem que a Dilma tem ali suas origens e eles tem muito orgulho disso. Um cara nos disse que antes só conheciam o Brasil pela música e pelo futebol. Agora, todos sabem bastante coisas sobre nós. Eles chamam a Dilma de “a presidente búlgara do Brasil”. 

Um pouco de História 

O primeiro estado búlgaro formou-se ao final do século VII. Nos séculos seguintes, entrou em guerra contra o Império Bizantino por diversas vezes para garantir a sua existência. Porém, não logrou resistir à invasão do Império Otomano, ocorrida ao final do século XIV. 

A Bulgária recuperou sua independência em 1878, como um Principado Autônomo, e sua independência total foi proclamada em 1908. Pouco tempo depois, nos anos 1912 e 1913, envolveu-se na Guerra dos Bálcãs. Durante a Primeira Guerra Mundial e, mais tarde, na Segunda Guerra Mundial, combateu ao lado das nações que vieram a ser derrotadas no conflito. 

Finalizada a Segunda Guerra Mundial, ficou sob a influência da União Soviética e tornou-se uma república popular em 1946. O governo comunista encerrou-se em 1990, quando o país teve eleições com a participação de diversos partidos. (Wikipédia). 

Fronteira 

A saída da Romênia e chegada à Bulgária foi bastante demorada. Nos consumiu 2 dias. Saímos de trem de Brasov bem cedinho e fomos pra Bucareste. Pegamos outro trem para Giurgiu. Vendo no Google Maps parecia que ia ser fácil: teríamos que chegar a Giurgiu, caminhar uns 7 quilômetros cruzando o Rio Danúbio por uma das mais de 10 pontes indicadas e estaríamos em Ruse, Bulgária. Então tá. 

Chegamos a Giurgiu de trem. A última estação do país no meio do mato (dias depois descobrimos que a estrada de ferro é ligada à da Bulgária e que tem um trem russo que faz o trajeto). Nada de taxi, ponto de ônibus, apenas umas casinhas, muitos cachorros e gatos pelas ruas (muitos mesmo!). Com nosso mapinha tirado do Google e uma bussolazinha de pulseira de relógio fomos andando. Chegamos ao centro da cidade e trocamos nossos últimos Leu (moeda da Romênia) por um punhado de Lev (moeda da Bulgária). 

Andamos. Atravessamos uma ponte e pensamos estar já na Bulgária. Que nada. Estávamos era numa ilha do Danúbio, e já tínhamos percorrido os 7 quilômetros. Estávamos cansados, pois naquele dia em Brasov já tínhamos carregado nossa bagagem por mais de 4 quilômetros. Onde constava uma ponte no Google não havia nada. Achamos um táxi que nos levou até a passagem da fronteira por 20 Euros. 

Aí desconfiamos que os dois países não são lá aquela amizade toda. Não são inimigos, é fato, mas o rígido controle de fronteira, a ausência de trens locais ligando as capitais e o baixo movimento, mostra que as relações entre os dois países tem muito para melhorar. Passamos a fronteira e desistimos de procurar nosso hotel a pé, pois estava escuro pra caramba e não víamos nem sinal da cidade. 

Um táxi caiu do céu e negociamos a corrida. Boa decisão: o táxi andou pra caramba até chegar ao nosso hotel. Fizemos check in, deixamos a bagagem e fomos procurar comida e uma boa cerveja. De noite a Ruse é bem feia e mal iluminada, mas achamos um bom restaurante e estávamos a salvos. De manhã a cidade ficou bem melhor. Nada que se diga “nossa, como essa cidade é bonita!”, mas deu pro gasto. Atravessamos o centro histórico da cidade que um dia foi um polo cultural, chegamos à rodoviária e compramos passagens para Sófia. À tarde já estávamos na capital Búlgara.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Romênia - parte 6

Sinaia

Em Sinaia fica o Castelo de Peles, edifício mais visitado por turistas no país. Foi o primeiro prédio a receber iluminação elétrica na Europa e é um dos mais bonitos do mundo. Foi construído pelo Rei Carlos I em uma época de muita prosperidade. Mesmo assim, o luxo extremo em prédios públicos, seja em qualquer época sempre nos causa asco. Mas que é bonito é. Tem tanta decoração e paredes entalhadas que fica difícil imaginar alguém morando ali. Se a pessoa se distrai pode sair derrubando aquelas bugigangas umas sobre as outras. Até um cinema há lá dentro.


Creio que gastamos uma hora lá dentro e logo que saímos fomos procurar a estação de esqui, para subir a montanha em um teleférico. Possivelmente fazia 35 graus ou mais e não pegamos neve na estação. Mas lá em cima batemos um pratão de churrasco com batata que nos fez muito felizes. De lá se tem uma ótima vista da cidade e de outros lugarejos. Não entendemos do assunto, mas para quem pretende esquiar, Sinaia é famosa como boa opção de “baixo” custo para esta atividade.

Sighisoara

Ali nasceu Vlad, o Drácula. Mas ainda criança o capetinha já havia se mudado para outras terras. Porém a cidade tem boa parte de sua fama atribuída ao nascimento do herói. A decepção fica por conta de a casa onde o pestinha nasceu hoje abrigar um restaurante, que usa e abusa desta peculiaridade e cobra preços que só alguém muito cruel poderia cobrar. Ou seja, talvez a maldade atribuída ao Vlad tenha sua origem nesta casa. Todos sabem que casas mal-assombradas são comuns em todo mundo. Porque não seria o caso do país de Vlad?


Sighisoara é bonitinha, mas lembra aquela atmosfera de Tiradentes, Búzios, Parati... o que geralmente não nos agrada. Muito afrescalhada, cheia de lesco-lesco...

Mas foi um dia agradável, viagem de trem e uma boa caminhada por uma cidade bonitinha.

Próxima parada: Dilmasland.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Romênia - parte 5

Bran

Saímos de Brasov em uma manhã em um ônibus intermunicipal todo cheio de enfeites e chegamos a Bran sem maiores dificuldades. Esta é a localidade de endereço do Castelo do Conde Vlad II, inspiração para o Drácula. Como já foi descrito acima, Vlad era feroz e usavas técnicas de tortura e execução muito radicais. Mas seu povo o admirava muito, pois era reconhecido como um governante justo e muito corajoso em batalha.

Suas maldades, aliás, se justificariam: suas terras eram constantemente assediadas pelo ultra poderoso Império Otomano. Conta-se que certa vez, um corajoso guerreiro Otomano desistiu de invadir com suas tropas a Transilvânia depois de avistar e se aterrorizar com a carnificina e a podridão de milhares de corpos que haviam sido empalados e deixados expostos a mando de Vlad.


Pois bem. Apesar da fama mundial do Drácula, os romenos não dão muito bola para isto. Mas em Bran há uma boa exploração do mito do vampirismo nas lojas de artesanato. O castelo é bonito, mas não chega a ser impressionante se comparado a outros muito famosos pela Europa. Mas pelo menos tem originalidade. Gostamos de saber que o luxo ali não era muito exagerado.

Percorremos todos os cômodos, que estão organizados mais ou menos como um museu. Um dos andares é dedicado atualmente a servir de museu sobre a vida de Maria da Romênia, antiga rainha, que lá viveu no início do século 20. Mas não nos interessamos por isso. Preferimos explorar as escadas e túneis. E qual não foi nossa surpresa ao encontrarmos por lá um vampiro de verdade, ostentando o charme comum desses seres.


Curtimos também um pouco dos jardins e da feira de artesanatos situada próximo ao castelo e fomos embora. Ainda de tarde já estávamos no hotel.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Romênia - parte 4

Ida para o interior

Chegamos a Bucareste com poucas expectativas e estas, com dificuldade, já estavam satisfeitas. Seguiríamos para a região da Transilvânia. Era tarde do nosso terceiro dia e sairíamos no quarto. Mas Renilza, que acabara de se curar do tornozelo torcido, ao se curvar para amarrar os cadarços, lesionou a lombar. Mais do que torcer tornozelo, sua coluna dar pau é ainda mais comum.

Tadinha. Ela estava na minha frente, conversando e de repente soltou um “ai”. Já estava condenada. Eu a ajudei a se deitar na cama e ela não conseguia nem tirar o tênis. A primeira coisa que fizemos foi informar na recepção que ficaríamos mais uns dias. E demos início ao tratamento, com anti-inflamatório e aplicação de gelol e aquelas gases que se colam à pele.

Apesar de a cidade não ser lá aquele paraíso, tivemos boas experiências. Conhecemos uma jovem em uma sapataria que correu para nos atender, pois suspeitava que éramos brasileiro, pela cútis. Ela disse que adorava o Brasil. Sabia várias coisas, nomes de rios era fã do Tribalista. Registre-se: na Romênia ouvimos a maior variedade de músicas brasileiras. Michel Teló e Tche Tchererê Tchê Tchê tocam no mundo todo. Ouvimos também Bará Berê, Tribalistas e Carrapicho (bate forte o tambor...) além da saudosa “chorando se foi quem um dia só lhe fez chorar...”.

Brasov

Localizada no centro do país Brasov foi escolhida pela sua localização para sediar nossa base de exploração a um monte de lugares. Nela mesmo, apenas fizemos caminhadas e um passeio de teleférico subindo a montanha que domina a cidade e exibe um enorme letreiro com o seu nome. Somado à bela paisagem e à excelente luminosidade da tarde escolhida, deu um ótimo resultado. Chegamos lá com chuva caindo e fazendo um friozinho arretado. Mas foi só neste dia que pegamos chuva.

Em Brasov ficamos em um hotel bem melhor, mais organizado e com funcionários realmente prestativos. Isto nos fez acreditar que escolhemos o lugar certo como base. Além disso, a cidade era bastante agradável, apesar de não ter nada de especial.


domingo, 28 de outubro de 2012

Romênia - parte 3

Bucareste

A capital do país nos pareceu uma cidade gasta. Os prédios e casas volta e meia nos pareciam não terem sido pintados, árvores pediam poda e era comum ver trepadeiras dominando semáforos e placas. Além disso, a cidade deu um grande azar de ter seu nome relativamente parecido com Budapeste, cidade bem mais famosa e visitada. Isto já rendeu pelo menos duas situações constrangedoras com celebridades: numa delas o mestre de cerimônias em um estádio de futebol numa partida internacional cumprimentou os torcedores com um sonoro “BOA NOITE BUDAPESTE”! E foi respondido com vaias. Na outra, Michael Jackson teria dito aos fãs “Eu amo Budapeste”!



Palácio do Parlamento

O calor na cidade estava desumano e nosso albergue era bastante limitado. Não tinha nada das vantagens de um albergue, estava mais para um modesto hotel. Então tínhamos que partir para o ataque. Assim que possível fomos visitar o Palácio do Parlamento. No palácio só havia disponibilidade de visita em tours guiados. Aí começaram as decepções com a cidade. Teríamos que esperar mais de uma hora para a próxima visita, mas eu precisava ir ao banheiro. Não havia opção. Apesar de ser talvez a atração turística mais importante da cidade, eu só poderia usar o banheiro quando já estivesse dentro do prédio, no meio do tour. Paciência. Me segurei como pude.

O prédio é o maior palácio do mundo. Lá funcionam a Câmara e o Senado da Romênia. O palácio realmente é uma contribuição para a arquitetura mundial, apesar de nunca ter sido concluído. Foi encomendado pelo ditador Nicolae Ceausescu e o luxo que se pretendia obter e em boa parte se conseguiu alcançar é uma ofensa ao povo romeno, que tinha uma grande parcela de pessoas em condições miseráveis.

Pinturas, entalhes, móveis, lustres, são realmente muito bonitos, mas pode-se ver claramente que não foi barato para os surrados cofres públicos. Há muito exagero em quase tudo. Em um salão, um tapete que, fica enrolado em um canto não é colocado na posição normal porque é muito pesado. Pesa mais de 30 toneladas e a dificuldade para desenrolá-lo torna a tarefa inviável.



Village Museum

Localizado dentro de um grande parque na cidade o Village Museum tem uma proposta interessante: retratar as diferentes formas de habitações e os hábitos dos cidadãos do país em diversas épocas e localidades. Está bem cuidado e, devido à grande quantidade de árvores, as sombras tornam o passeio muito agradável.



Centro Histórico

Para encerrar a cidade demos uma volta pelo centro histórico, tentando dar uma chance à cidade de mudar a primeira impressão. Infelizmente não conseguiu. O centro histórico está mal preservado e praticamente não se vê nada de novo por ali. Aliás, vê-se muitos bares e algumas boates com fotos de belas mulheres. Infelizmente Bucareste hoje é uma cidade que atrai muitas pessoas pelo turismo sexual.


sábado, 27 de outubro de 2012

Romênia - parte 2

De volta para a viagem

A chegada à Romênia marca o retorno ao nosso roteiro. Saímos de madrugada de Milão e ainda de manhã estávamos no Aeroporto Internacional de Bucareste. Nos primeiros corredores do aeroporto já víamos propagandas estreladas por Nádia Comaneci, a segunda pessoa nascida na Romênia mais conhecida no mundo (a primeira com certeza é o Drácula).

Fazia um calor infernal, mas não achamos isto ruim. A entrada foi tranquila, com as perguntas básicas das autoridades (propósito, lugares que visitaremos, tempo, etc). Pegamos um ônibus no aeroporto e descemos alguns quilômetros antes do local desejado. A caminhada foi boa para termos certeza de que o pé de Pretinha estava bem. Enfim, de volta ao leste europeu.

Um pouco de história

Documentos históricos persas de mais de 2500 anos comprovam que Dario havia encontrado tribos vivendo na área da atual Romênia. Eram os Getas. Vários povos caminharam e deixaram suas marcas por lá depois disso: Dácios, Godos, Gépidas, Avaros... Muitos impérios dominaram a região, como o Huno, o Búlgaro, Romano, Otomano, Russo.

O nome “Romênia” vem de a região ter sido uma província do Império Romano naquela área que era na sua maioria dominada por povos de tradições muito diferentes das de Roma. Isto fica claro quando se compara o idioma Romeno com as línguas dos países vizinhos (Bulgária, Ucrânia, Hungria). A língua romena é de origem latina e várias palavras são perfeitamente entendíveis para nós (rua = strada, casa = acasa, homem = om, mulher = femeie). .

A Romênia moderna nasceu quando os principados da Moldávia e da Valáquia fundiram-se em 1859. Após a Primeira Guerra (na qual aliou-se às potências da Tríplice Entente), a Romênia viu a sua área de soberania duplicada com as aquisições da Transilvânia e da Bessarábia.

A Transilvânia é uma região com belíssimas montanhas, dotadas de picos pontudos, que ficou especialmente famosa depois da publicação da obra do escritor irlandês Bram Stoker, “Drácula”, de 1897.

Vlad III, que governou esta região por vários anos no século XV e foi a inspiração para Bram Stoker é historicamente conhecido por sua política de independência em relação ao Império Otomano, cujo expansionismo sofreu sua resistência. Dentre suas “técnicas” para aterrorizar os inimigos, estaria a empalação, que é um método de tortura e execução que consiste na inserção de uma estaca no ânus, vagina, ou umbigo até que o corpo seja atravessado. Era usual deixar um carvão em brasa na ponta da estaca para que, quando esta atingisse a boca do infeliz este levasse algumas horas para morrer de hemorragia. Usava-se também cravar a estaca no abdômen. O cara tinha estilo, mas vampiro mesmo ele não chegou a ser.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Romênia tornou-se um estado comunista sob direto controle econômico e militar da URSS até 1958. O Regime se acabou com a queda do ditador Nicolae Ceausescu na Revolução de 1989. Como todos os outros países do bloco socialista na Europa, os anos após o colapso foram duros. Em 1997 a Romênia iniciou um grande programa de reformas estruturais e estabilização macroeconômica.

Apesar das nítidas melhorias, a Romênia ainda enfrenta vários problemas-chave: corrupção elevada, falta de transparência a respeito dos gastos públicos, falta de competitividade econômica, especialmente no sector agrícola. Em 2007, passou a fazer parte da União Europeia.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Romênia - parte 1

Romênia

República da Irlanda, julho de 2010. Estávamos de férias no país, com um carro alugado, ainda tentando entender a rotina dos Irlandeses. Fazíamos por nossa conta um tour conhecido por lá como Ring of Carry. Descobrimos um passeio dentro do passeio que não estava previsto e resolvemos fazê-lo. Para isso teríamos que dormir em uma pequena vila.

Para o pernoite fomos a uma cidade próxima comprar roupas e quando chegamos à vila, famintos, tudo estava fechado. Não tínhamos ideia de como nos alimentaríamos. Mas, veja como são as coisas... descemos do carro na porta do pequeno hotel. Enquanto eu pegava os pacotes no porta-malas Renilza foi andando e um homem se aproximou dela, com uma panela de macarronada em uma mão e uma grande colher na outra, falando para ela algo assim: “Romênia, Romênia, espaguete” e batia a colher na panela. Renilza se virou para mim assustada e rindo e eu não sabia o que fazer.

Aquele senhor nos cercou, nos fez sentar em uma mesa de bar colocada à frente do hotel e foi gritando para a gente e batendo na panela: “Romênia, paaammm (onomatopeia representando o som da batida), Romênia, espaguete”. Sem que respondêssemos serviu dois pratões de macarrão para a gente. Dois rapazes se aproximaram rindo. Eram jovens também vindos da Romênia. O senhor em seguida serviu cervejas para todo o grupo, inclusive a gente. Antes de esvaziarmos os pratos, ele lascava mais colheradas de macarrão. Estava ótimo. Eu estava adorando aquela fartura.

Aquele senhor, apesar de viver na Irlanda há mais de 15 anos falava muito pouco inglês, mas os rapazes faziam um bom meio de campo. Chegou um vizinho irlandês e ficamos conversando ali um tempão, sem acreditar no que acontecia. E o senhor repetia: “Presente da Romênia!”. Foi a primeira vez que a Romênia entrou em uma lista de lugares que gostaríamos de visitar. Podia ser inocência nossa, mas pensamos que um país que gera pessoas tão agradáveis com certeza é um lugar especial.

Já na Romênia, várias vezes nos perguntaram o motivo de termos ido ao país (por incrível que pareça, foi o lugar onde mais vezes isto foi perguntado) e a gente contava este caso.

Por outro lado, devido ao encontro com pessoas desagradáveis, outros países já foram cortado de nosso roteiro.

No episódio da macarronada começamos a entender como as nossas ações como viajantes são importantes para o nosso país. Quando somos simpáticos, receptivos, honestos e respeitosos estamos transmitindo para as pessoas que encontramos que o nosso povo é assim. Em uma terra estrangeira, cada visitante é um embaixador. Temos a consciência de que cada vez que interagimos com alguém em um lugar pouco visitado por brasileiros, é bem possível que sejamos os primeiros que esta pessoa conhece e ela pode formar uma ideia de todo um país baseado apenas no que viu na gente.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Itália

Itália

Entramos num ônibus de noite na França e de manhã descemos em Milão. Além do calor bravo, o tornozelo de Pretinha ainda exigia repouso. Ficamos em um hotel em que os funcionários (possivelmente os donos) eram egípcios. Dois caras muito gente boa que eram muito prestativos e nos cediam gelo sempre que pedíamos, para o pé de Pretinha.

No último dia na cidade Renilza já conseguia fazer pequenas caminhadas. Então pegamos um metrô e fomos ao centro histórico. A Catedral de Milão é a terceira maior igreja do mundo e é repleta de obras de arte. Mas só fomos saber disso já fora do país. De qualquer forma, estava fechada quando a visitamos. Demos a volta no mercado que fica na mesma praça e que de mercado não tem nada: é mais um shopping center repleto de marcas mundialmente famosas e restaurantes caríssimos.



É complicado falar que já estivemos na Itália sendo que só pudemos curtir algumas horas de passeio em uma cidade que nem é das mais importantes no cenário turístico do país. Mas o que aconteceu foi isto. Na madrugada seguinte partimos para a Romênia.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

França

França

Com tínhamos que buscar nossos cartões em Vichy, uma cidadezinha perto de Lyon, escolhemos esta cidade para nos hospedarmos na França. Lyon é até bonita, mas fazia um calor danado e nosso quarto de hotel não tinha ar condicionado. O calor tinha pelo menos a vantagem de secar rapidamente as roupas lavadas clandestinamente no quarto do hotel. Seriam só 4 dias.

O primeiro, gastaríamos atualizando nossos compromissos com a internet e lavando roupa. O Segundo, indo a Vichy para buscar os cartões e o terceiro e quarto, seriam gastos com um pouco de trabalho de planejamento e turismo. Analogamente à decisão tomada sobre a Alemanha, também não postaremos nada sobre a história deste país.

Apenas uma curiosidade, que será contada aqui como um caso. O Brasil deve muito à França (a Napoleão, mais precisamente) por ter conseguido sua independência de forma relativamente pacífica. No início do século XIX, Napoleão fazia o diabo pela Europa e acabou dominando Portugal. A família real portuguesa e boa parte da nobreza fugiu para o Brasil. Dom João VI, então decretou que o Brasil não era mais uma colônia de Portugal. Agora éramos um “Reino Unido a Portugal”. Afinal, seria menos humilhante um chefe de estado fugir para um “Reino Unido” do que se esconder em uma de suas colônias.

Alguns anos se passaram e os ingleses derrotaram Napoleão. Assim, a família real poderia voltar para a terrinha. Mas, e o Brasil, voltaria a ser colônia? Nananinanão! É claro que a rapaziada aqui não ia topar um retrocesso desses. E nesse interim, Dom Pedro I já havia aprendido a gostar do Brasil e se sentia bastante em casa (o cara era um dos maiores pegadores do Rio de Janeiro). Aí, conversa vai, conversa vem, Portugal acabou aceitando a independência do Brasil, contando que Dom Pedro I ficasse como o Imperador do Brasil.

Vichy

Essa era a cidade onde eu buscaria os nossos cartões. A Renata, esposa de nosso amigo Daniel Antipoff veio para a Europa 1 mês antes dele, com a filha e a mãe, e trouxe os nossos cartões. Em uma tarde eu saí de Lyon e fui até lá busca-los. Acabei encontrando apenas a sogra e a filha do Daniel. Batemos um papão enquanto caia um toró na cidade, que é bem bonitinha. Mas o tempo urgia e voltei logo para Lyon, pois a essa hora Pretinha já estava morrendo de saudades (ela não aguenta ficar longe de mim).

Renata e Daniel, muito obrigado!

Lyon

Cumprimos bem o planejado para os dois primeiros dias. No terceiro, faríamos um pouco de turismo. Mas na noite do segundo dia, Renilza torceu o tornozelo e foi para o estaleiro. Como não é a primeira vez que isso acontece com ela, já sabia tudo que deveria ser feito. Fui a uma farmácia e comprei gases e spray e fizemos uma imobilização responsa. É claro que depois disso foram cancelados todos os planos de turistar pela cidade.

Enfim, no quarto dia pegamos outro ônibus, dessa vez para Milão.