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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

São Luís - Maranhão

Partimos de Belo Horizonte no dia 29 de dezembro para São Luís. Esta capital entrou na rota por imposição dos preços das passagens, mas não podemos reclamar. Apesar das poucas horas disponíveis para explorá-la e do calor, pudemos ver alguma coisa do que oferecia, mas é só uma primeira impressão. Os Sarneys estão por todos os lados. Nomes de ruas, dedicatória escandalosa no painel pintado no aeroporto, nome de bairros, ponte,... Como um todo, não se pode dizer que é uma cidade bonita. Mas as pessoas são atenciosas e educadas e levam suas vidas, apesar do pouco que as administrações públicas fizeram por elas. Ficamos no centro histórico, que se não está bem preservado, consegue pelo menos mostrar que há um esforço para que se mantenha firme. Os grandes casarões com seus azulejos portugueses são o orgulho da cidade, que realmente fazem dela uma paisagem muito particular e bonita. O revestimento externo com azulejos foi uma solução muito engenhosa adotada no século XVIII para refletir o máximo possível da luz do sol e tornar suportável a temperatura no interior dos casarões.

Caminhamos vários quilômetros no centro histórico, com pequenas paradas em algumas igrejas (que além da singela beleza ofereceram preciosas sombras). Pegamos uma visita guiada no Museu do Nhozinho, famoso artesão maranhense que mesmo tendo sofrido por quase toda a vida de uma grave doença que o fez perder as duas pernas e partes dos membros superiores esculpiu belíssimas obras que retratam muito da cultura maranhense. Após duas breves cervejas na Feira da Praia Grande, pegamos nossas bolsas no hotel e seguimos de ônibus para o aeroporto. O ônibus nos deixou a menos de um quilômetro do aeroporto, evitando gastos com taxi.


São Luís tem suas particularidades, mas carece de alguns cuidados que poderiam torná-la mais atraente para os visitantes e interessante para os moradores. As praias não são espetaculares, mas suas conformações permitem o banho. Porém, a não ser que você possa se afastar da cidade, são praticamente todas impróprias para o banho devido à contaminação das águas (o que não impede de serem usadas, principalmente pelos moradores).

Enfim, o dia acabou com a gente no aeroporto aguardando o voo para Belém, marcado para as 01h de 31 de Dezembro.

Conexão Amazônica

Há muito tempo temos vontade de continuar registrando nossas viagens no blog e agora finalmente o ânimo venceu a preguiça. O nome da viagem, Conexão Amazônica foi emprestada da canção da Legião Urbana, banda da qual sou fã e tolerada por Renilza. No original, “... Os tambores da selva, já começaram a rufar. A cocaína não vai chegar. Conexão Amazônica está interrompida...”, Renato Russo falava de quando a rota de abastecimento de cocaína de Brasília teria sido interrompida em algum momento, quando a droga vinha pela Amazônia. Bom, não vamos buscar coca e para nós o acesso à Amazônia é livre. Peguei o nome porque gosto da música e tem a ver com a geografia.
A intenção foi partir de Belo Horizonte, fazer uma breve parada em São Luís do Maranhão, seguir para Belém e percorrer o Rio Amazonas de sua foz até Manaus, parando onde for interessante para a gente. De Manaus pretendemos ir até Porto Velho pelo Rio Madeira e de lá seguir para Rolim de Moura e encontrar nossos primos Carlos e Cristina Tuyama. Já descendo, se o compadre Angelo já estiver se instalado em Cuiabá, pararemos lá também antes de baixarmos novamente até BH.
Esta viagem foi muito pouco planejada. Viajamos nela como possibilidade desde, talvez, junho de 2015, mas só batemos o martelo sobre sua realização em meados de novembro. Compramos nessa época as primeiras passagens. A ideia era subir por terra de Belo Horizonte até Belém, mas os preços das passagens aéreas foram sedutores e resolvemos fazer esta primeira perna de avião mesmo. Demos uma olhada em alguma coisa na internet, fizemos umas simulações com Google Maps e Earth, mas planejar mesmo não. Não recomendamos isso, uma viagem pouco comum sem planejamento. Planejar não reduz em nada a aventura e faz a gente economizar bastante, além de evitar algumas roubadas. Planejar já é parte da viagem, e essa parte nós perdemos.
A política é a de (quase) sempre: baixo custo, mas sem paoduragem; comer barato, mas com higiene; hospedagem barata, mas bem localizada e com um mínimo de limpeza; rota definida, mas com espaço pra alterações; roupas leves e baratas. As bagagens ficaram maiores do que gostaríamos. Barraca e sacos de dormir exigem grandes bolsas. Alguns livros, remédios, repelentes, um computador e... bora curtir no calor.
A falta de planejamento se deu, em parte, pela escassez de informações para quem quer viajar e curtir férias na região. Dizer que ela não oferece nada é blasfêmia. Apenas passeando pelo Google Earth é possível ver inúmeras curiosidades. Municípios com mais de 100 lagoas, um rio que liga o Amazonas ao Orinoco na Venezuela (formando uma imensa ilha), fenômeno que não entendi como ocorre e já peço aqui a explicação, se alguém a tem; o encontro das águas, a floresta em si. Levando os nomes das cidades ribeirinhas ao Wikipédia, mais e mais curiosidades: a praia fluvial mais bonita do mundo (?), produtores de leite de búfala, vários pontos mundialmente conhecidos pela pesca esportiva, fortalezas construídas na época colonial. E os rios que são as estradas, as embarcações, as lendas, as verdades, as chuvas, as doenças, os animais, as formas de adaptação das pessoas às condições ímpares que a floresta impõe, os povos indígenas, as culinárias... Se não temos um guia turístico em mãos, temos a certeza de que não será por isso que passaremos estes 40 e poucos dias que estão à nossa frente apenas boiando.
É um pedaço do Brasil desconhecido e misterioso para os do sul, mas do qual nos orgulhamos de estar dentro de nossas fronteiras. É um pedaço de continente que impressiona o mundo e em função do qual o Brasil é avaliado como um gestor ambiental. O mundo nos cobra que cuidemos da Amazônia, embora ninguém nos diz o que fazer com os milhões de habitantes que dela dependem. O mundo também não nos diz com que dinheiro cuidaremos deste jardim, embora boa parte dos que nos cobram já tenham usufruído de suas florestas originais.

Enfim, bora viver com a gente esse pouquinho de Brasil.
Desculpem o atraso nas postagens, ficar no computador nos rouba um precioso tempo. Estamos alguns dias atrasados. A viagem começou dia 29/12/2015 com o voo de BH para São Luís.