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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Grécia - parte 4

Kos

Pegamos um ferry noturno para Kos e, como estava vazio, pudemos ficar nos assentos da primeira classe. Melhor do que isso, pudemos dormir no carpete do ferry. De manhazinha chegamos em Kos.


Escolhemos essa ilha porque estava no nosso caminho para a Turquia, a apenas alguns quilômetros da costa deste país. Além de praias legais ela possui um forte de pedra antigo bem nos cais o que dá uma paisagem muito legal. Por dentro é um sitio arqueológico aberto a visitações gratuitas. Lá também tem um termas, mas quando descobrimos já estávamos no último dia e não animamos pegar ônibus pra ir.

Depois de 3 dias de praia partimos para a Turquia.

Os gregos

Apesar de estarmos pessimistas com o país devido à crise, quase não pudemos senti-la. Aliás, sentimos os efeitos positivos: os preços estavam bastante acessíveis. Não chegavam a ser baratos, mas o país não causou rombo no nosso orçamento. O calor humano dos gregos foi uma grata surpresa. Geralmente sorridentes e expansivos, são sensivelmente diferentes dos europeus de países mais ao norte. Foi uma excelente despedida da Europa. Se copiassem as receitas da culinária macedônia seria um país quase perfeito.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Grécia - parte 3

Santorini

Atenas até que tinha mais coisa que podia ser visitado, mas com o calor que fazia o melhor caminho seria fugirmos para uma das famosas ilhas gregas e escolhemos Santorini. Sem contar que se hospedar mal em Atenas estava ficando mais caro que um lugar melhor em uma praia. Na manhã do nosso terceiro dia no país pegamos um ferry para a ilha. Vale a pena fazer este tipo de viagem à luz do dia, para apreciar as paisagens. São incontáveis ilhas de uma formação rochosa muito bonita, com o solo árido contrastando com o mar azul grego, mundialmente famoso.


Santorini é um complexo de ilhas que são o que sobrou de uma enorme explosão vulcânica a cerca de 3500 anos. Como não há registros de restos mortais humanos dessa época, presume-se que a população local teve tempo de fugir da ilha. Mas como também não há registro de terem chegado a parte alguma, a hipótese mais aceita é que as embarcações que os levavam foram destruídas pelas ondas resultantes da explosão.


Descemos do ferry e uma multidão segurando cartazes de hotéis gritava para os recém chegados oferecendo seus serviços. Pegamos uma vã para Perissa, do outro lado da ilha, o lado barato. Como havia acabado a alta temporada, os preços estavam muito bons nessa praia e ficamos 3 dias lá. A praia é de areia escura e um bocado de pedregulho. Mas mesmo assim é muito bonita. A água é fria mas dá para entrar. Dezenas de mulheres faziam seus top less mas eu só tinha olhos para Pretinha. No hotel tinha piscina também e a gente pegava praia de manhã e piscina a tarde. Achamos um mercadinho que vendia vinho em garrafas pet baratinho. Não entendemos nada de vinho mas o fato é que gostamos e isto é o que importa.

Depois desses três primeiros dias subimos para Thira, a parte realmente famosa da ilha, onde todas as construções são branquinhas com detalhes azul. Ali a coisa fica cara. Mas encontramos o lugar mais barato da ilha. Uma mistura de camping e hotel, onde pechinchando bem conseguimos um quarto por 25 euros/dia.



Gastamos um dia inteiro em um passeio de barco onde visitamos a ilha central do vulcão, onde ainda se vê umas fumacinhas saindo da terra, uma pequena baía onde eles juravam que a água era quente, mas era apenas alguns graus menos fria que o restante e terminou com uma passagem pela ilha Thirassia.
 


O outro dia gastamos visitando a praia vermelha. Muito legal também. Pegamos um ônibus local e fomos. Na chegada há um sitio arqueológico todo emperiquitado, com cobertura, etc, mas não vimos nada demais lá e corremos para a praia. Além da areia vermelha desta praia, vimos mais água fria e transparente, mais top less e velhinhas europeias trocando de roupa na praia mesmo, sem frescura. Muito evoluídas essas europeias!


Ebulidor

Há um bom tempo tivemos a grande ideia de comprar um ebulidor. Aquele aparelhinho com uma extremidade de metal ligada a uma resistência usado para aquecer água. Com ele, mesmo em hotéis sem cozinha disponível poderíamos preparar um café ou até um macarrão instantâneo. Mas só fomos encontrar o danado na Bulgária, onde o vendedor nos disse: fiquem tranquilos porque isso foi feito na Bulgária e não na China.

Usamos algumas vezes sem problemas. Mas lá pela quarta ou quinta vez o treco começou a soltar um cheiro de queimado. Certa noite, no hotel em Santorini, Renilza foi usá-lo e soltou uma fagulha. Ela ficou com medo, mas decidimos continuar usando. Na noite seguinte Renilza estava na área da piscina usando internet e eu fui fazer nosso café. Quando introduzi o plug na tomada o treco estourou com um barulho seco e imediatamente o quarto ficou às escuras. Provavelmente foi um fusível que queimou, mas tivemos que trocar de quarto. Mas já estávamos de saída da ilha e por lá ficou nosso ebulidor búlgaro.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Grécia - parte 2

Atenas

A chegada em Atenas foi meio decepcionante. Depois que saímos do Brasil foi a primeira vez que pegamos um engarrafamento. A rodoviária, um horror! Feia, barulhenta, meio bagunçada. Lá pegamos um ônibus para o centro. Feio também. Calçadas e prédios desgastados, muitos camelôs, flanelinhas, alguns lugares lembravam a Avenida Paraná em BH. Mas aos poucos fomos nos entendendo com a cidade. Ficamos num hotel simples bem no centro, onde o proprietário, um senhor muito simpático nos deu todas as dicas. Descobrimos onde comer bem e barato, como chegar aos pontos turísticos e recebemos as já comuns recomendações para tomar cuidados com os batedores de carteiras.

Entrando em ação

Ao chegarmos em Atenas Renilza ostentava uma tremenda enxaqueca. Tadinha! Há pouco mais de um mês torceu o pé. Mal se recuperou e teve tilde na coluna. E ainda não tinha esquecido o trauma quando a dor de cabeça bateu. A sorte dela é que existe com ela a minha presença, que para ela já é a cura para todas as ziquiziras. Mas depois de se automedicar no dia seguinte estava pronta para quebrar o pau e fomos ver se Atenas melhorava a impressão inicial.

Compramos um bilhete unificado para vários locais e valeu a pena.

Começamos a caminhada pelas ruínas da antiga biblioteca. É algo de encher os olhos, mas como tinha coisa muito mais relevante nos esperando, só demos uma olhadinha. Seguimos uns turistas que pareciam saber aonde iam e chegamos ao templo de Hephaistos. Agora sim. Se trata de um complexo de ruínas onde há milênios era uma cidade (ou quase isto), com praças, antigos canais e o templo propriamente dito em cima de um cocuruto de colina, dominando a paisagem. Tudo é muito impressionante.


Dentro do complexo tem também um museu com achados arqueológicos dali. Interessante, mas o que nos atraiu mesmo foi a sombra que ele proporcionava. Estava fazendo muito calor. Subimos por uma trilha toda pavimentada e chegamos à Acrópoles. Ela já impressiona quando vista de longe, da parte moderna da cidade. De perto então! O problema é um certo tipo de pessoas que insiste em visitar os mesmos lugares famosos ao mesmo tempo que a gente (os outros turistas).


E dá-lhe fila. Os ônibus chegam às dezenas e vomitam as multidões. Fazer o que! Fomos juntos. Apesar de estar tudo em ruínas é difícil de acreditar como o que ainda resta pode sobreviver a tantas barbaridades. Depois do fim do Império Romano o templo foi:

- Saqueado;
- Abandonado;
- Incendiado;
- Esculturas foram arrancadas por cristãos que julgavam aquilo paganismo;
- O Templo de Atenas foi transformado em Igreja Católica (que vergonha dos meus irmãos em cristo!); depois foi transformado em mesquita pelos turcos;
- Explodido;

Não necessariamente nesta ordem.

Mas o que resta, combinado com a vista panorâmica do entorno paga fácil a viagem a Atenas. Não é preciso ser especialista no assunto para entender que o gênio humano teve ali um de seus apogeus. A qualidade das construções e esculturas é muito alta. Passamos no Museu da Acrópole de Atenas e aprendemos muito sobre a cultura grega. Este museu é um excelente complemento do passeio às ruínas, na parte didática. Tem a apresentação de um vídeo que mostra todas as etapas da história de Acrópoles. Além de mais um ponto de descanso na sombra, pois lá fora estava fervendo.

Não muito distante, visitamos o templo de Zeus. O templo tem uma história interessante e a sua construção é citada no livro A Política, de Aristóteles.


O que mais atrai turistas para a Grécia são os cruzeiros por suas ilhas. Mas ir até lá e não dar uma passadinha nesses locais históricos é um desperdício muito grande.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Grécia - parte 1

História da Grécia

A importância da Grécia na história da humanidade está concentrada no fato de há mais de 2800 anos suas cidades Estados terem sido o berço da civilização ocidental e, ainda mais importante, desenvolveram e experimentaram a democracia e estabeleceram os princípios dos direitos individuais. Esses dois fatores são hoje reconhecidos pela maior parte dos povos como o que há de melhor para a convivência em sociedade. As cidades Estados eram independentes entre si, mas compartilhavam a mesma cultura.

As organizações sociais daquele povo proporcionaram um longo período de prosperidade, quando o homem pode desenvolver sua máxima habilidade em vários campos. A arte da guerra conheceu com eles alguns princípios que até hoje são úteis. A fartura de ruínas de teatros, chegando à capacidade de mais de 20 mil pessoas é um sintoma fortíssimo de que a dramaturgia já naquela época atingira o seu auge. A matemática, a arquitetura, as artes plásticas a filosofia e o complexo mundo da mitologia grega mostram que este povo conseguiu criar um oásis social em meio ao deserto de selvageria que reinava no ocidente.

O período áureo foi por volta do século V a.C., quando Péricles, Platão e Sócrates estavam em ação. Alexandre o Grande, natural da Macedônia quando dominou quase todo o mundo conhecido levou consigo a cultura grega. 

As Cidades Estados na antiguidade nunca se uniram em um governo central. Destaque para a Guerra do Peloponeso, que envolveu praticamente todos os povos da região, teve como principal resultado o enfraquecimento generalizado de todas as cidades. A falta de uma centralização do poder entre os gregos facilitou o domínio do Império Romano, concretizado em 146 a.C..

Mas, devido à admiração que a cultura grega exercia sobre os romanos, esta continuou prosperando, porém junto à romana, dando origem a uma nova fase na produção cultural do ocidente.

Após o colapso do Império Romano, o domínio da Grécia foi herdado pelo Império Bizantino e depois ela fez parte do Império Otomano.

Em 1829, finalmente a Grécia conseguiu sua independência e passou a existir como um país. Mas as crenças do povo da Grécia antiga já haviam se transformado em mitologia e a nação hoje é predominantemente cristã ortodoxa.

A população do país é de quase 12 milhões de pessoas e tem um elevado nível de desenvolvimento humano. O país recebe quase 20 milhões de turistas todos os anos e ainda é o maior produtor de navios comerciais do mundo. Porém, a crise enfrentada nos últimos anos chegou a por em cheque a permanência do país na União Europeia e a continuidade do uso do Euro.