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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Iran - parte 1

A conquista do visto

Quando ainda batalhávamos o visto para o Iran o clima entre o país e Israel, no campo da diplomacia estava quente. Acusações de Israel de que o Iran desenvolvia armas atômicas e a exigência para que os Estados Unidos fizessem mais pressão sobre o Iran usando a força já encorajava alguns analistas a marcar até datas para o conflito. Mas nós estávamos ali do lado, na Turquia. Era só um pulo... a tentação era grande. Estão no Iran as ruínas do Império Persa, o povo tinha fama de muito agradável e os preços, devido às sanções econômicas, provavelmente estariam baixos... enquanto pensávamos se íamos ou não, corríamos atrás dos vistos.

No consulado iraniano em Istanbul a funcionária nos deu uma lista de agências que poderiam nos ajudar, pois teríamos que conseguir um número de referência através do ministério competente. Este número de referência é obtido pelas agências mediante o pagamento de uma taxa. Como um brasileiro nos disse que conseguiu o visto em Ankara sem muita burocracia, decidimos partir para a capital turca, que estava no meio do caminho para Goreme. Lá fomos à embaixada. O pessoal, meio esquisito, de poucas palavras, nos atendeu até bem, mas nos disseram que teríamos que esperar pelo menos uma semana para termos a resposta.

Naquele momento a gente chegou a desistir do Iran. Mas na saída conhecemos o Khin. Esse cara de Hong Kong está fazendo uma volta ao mundo também, só que de bicicleta. Ele nos falou da cidade de Trabzon, no norte da Turquia, às margens do Mar Negro, onde era possível conseguir o visto no mesmo dia. Ele mesmo não tinha muita certeza, mas voltamos a colocar o Iran nos planos. Pegamos o ônibus em Ankara no mesmo dia e fomos para Goreme, continuar nossa viagem pela Turquia. Teríamos mais alguns dias para estudar o assunto.

Depois de nos esbaldarmos em Goreme, pegamos um ônibus noturno para Trabzon. Quando chegamos no consulado do Iran, conhecemos uma galera mais ou menos na nossa situação: dois poloneses que faziam uma volta ao mundo de moto, outro cara de Hong Kong, dois dinamarqueses, uma alemã e um chileno. Demos entrada nos papéis, e o atendente mandou todo mundo voltar às 17h. Só tivemos que preencher um formulário simples e entregar as fotos. O detalhe é que para mulheres a foto tem que ser com os cabelos cobertos.

Tínhamos ainda que pagar a taxa, que era diferente para cada país. Daquela galera, a taxa para brasileiros era a mais barata: 45 euros cada. Pagamos, almoçamos e às 17h todo mundo estava lá no portão do consulado. Entramos na maior tensão e o funcionário foi chamando a gente um por um. Todo mundo conseguiu o visto para o número de dias solicitado. Pedimos só 15 e nos arrependemos depois. Mas o mais importante é que havíamos conseguido.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Turquia - parte 11

Caros Amigos

Mais uma vez quis o destino que encontrássemos de novo nossos anfitriões de Londres, a Carol e o Angelo. A gente sabia que ia para a Turquia, mas não sabíamos exatamente quando. Poderíamos ter ido à Turquia um mês antes ou depois, por exemplo. Já os nossos camaradas tinham passagens compradas há um tempão e por uma feliz coincidência chegamos à Goreme um dia antes deles e pudemos passar dois dias juntos.

Eles chegaram de madrugada e pela manhã já fizeram o voo de balão. Demos um tempinho pra eles dormirem pela manhã, mas antes das 11 já estávamos acordando os pombinhos para explorarmos as cercanias. Fomos até o Vale do Amor. Ficamos um pouco perdido, é verdade. Subimos e descemos vários montes moldados pelas águas e ventos, roubamos, sem saber que o fazíamos, vários cachos de uvas e achamos uma brecha no paredão pela qual conseguimos descer para a parte mais baixa e alcançar o Vale do Amor.


Este é um lugar interessante... a passagem de enxurradas, córregos e ventos esculpiu na rocha vulcânica um monte de figuras que olhos inocentes identificam cogumelos alongados, mas mentes maldosas viam mesmo era um monte de pênis apontando para cima, com dezenas de metros. Daí o nome Vale do Amor. Esses turcos são mesmos uns danadinhos! Depois, quando alcançamos a estrada por onde quem não havia se perdido passava, vimos placas indicando que tanto colher frutas quanto descer pelas laterais dos vales era proibido.


Fomos até o hotel deles, porque após saberem que nenhuma havaiana falsificada que comprávamos durava mais que 2 ou 3 semanas nos meus pés, o Angelo ia dar a dele para mim, pois já estava voltando para a pátria amada. Choramos mais um pouco e ele deixou com a gente uma lanterna maneira, que se carrega sozinha quando exposta à luz solar e ainda pode transferir via USB a energia para celulares. Mais uma semana eles voltavam pelados para Londres, hehehe.

De noite fomos para um restaurante, escavado também na rocha, para comer comida turca, ouvir música turca, apreciar a dança turca e ver os dervixes rodopiantes, seres religiosos que  respeitam pessoas, animais e a natureza e fazem um tipo de dança rodopiando em suas cerimônias. Rimos muito, bebemos um pouco, dançamos e eu acabei participando do show com a dançarina de dança do ventre. Aquelas coisas manjadas feitas para turistas. Mas nós gostamos pra caramba.

A Capadócia com certeza está entre os pontos altos desta nossa jornada. Mas rever amigos, principalmente estando esse tempo todo fora de casa foi muito bom.

Turquia, até logo

Demos mais uns rolés pela Turquia em busca do visto do Iran, mas disso falaremos depois. Por agora, basta dizer que a Turquia nos surpreendeu. O país é mais organizado do que muito lugar famoso da Europa, exibe uma prosperidade invejável, tem muitas atrações de altíssimo nível e recebe muito bem os visitantes. Istambul até então foi a cidade grande com as pessoas mais calorosas que vimos. Um carinha de Hong Kong que conhecemos lá e que também dava uma volta ao mundo, mas de bicicleta, nos disse que várias vezes ele era praticamente obrigado a parar devido aos convites das pessoas para conversarem e tomarem um chá e isto às vezes o atrapalhava, pois em alguns casos seu tempo de uma localidade a outra era muito limitado. Se Deus nos permitir continuar viajando, certamente voltaremos a este lugar. E, é claro, o indicamos com muita força. É um lugar bom para quem quer fazer turismo independente do mesmo jeito que é interessante para quem prefere vir através de agências. Oferece atrações em praias, montanhas, cidades grandes, pequenas, tem estações de esqui, e tem uma história igual a de poucos.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Turquia - parte 10

O Green Tour

Os passeios mais comuns pela Capadócia estão bem padronizados e são de fácil contratação com as empresas locais. A Capadócia é um dos locais mais legais que visitamos, mas nosso tempo é limitado. Escolhemos o Green Tour, depois que nosso amigo que nos indicou os balões nos esclareceu que seria o melhor para as nossas condições.

Cidade Subterrânea

A cidade subterrânea, também chamada de Cidade Formigueiro é uma coisa provavelmente única. Aproveitando das já citadas condições geomecânicas da rocha vulcânica da região, as pessoas escavavam suas casas na mesma. Com o tempo, para se defender de invasores e, porque não, ganharem mais espaço, as escavações foram se aprofundando e se interligando, ao ponto de, na Capadócia, ter surgido entre 6 mil a 9 mil anos atrás uma cidade subterrânea capaz de abrigar, segundo estimativas, cerca de 100 mil pessoas em seus 20 níveis.


A cidade subterrânea se ligava à cidade da superfície por cerca de 600 entradas e foi descoberto um túnel que a ligaria a outra cidade distante 8 quilômetros dali. Com o tempo os moradores desenvolveram técnicas de armazenamento de alimentos, distribuição de ar, dispersão da fumaça na superfície para não chamar a atenção dos invasores, portas de segurança, rede de distribuição de água, etc, tudo que era necessário para a sobrevivência ali por longos períodos. O sucesso foi tanto que durante milênios pessoas viveram ali.

Nos primórdios do cristianismo, fiéis usaram a cidade também, e pode-se identificar várias cruzes escavadas nas paredes e até uma igreja rudimentar. A temperatura média no interior é de cerca de 13 graus célsius e varia muito pouco ao longo do ano, mesmo a superfície passando por fortes variações ao longo do ano. Imperdível!

Vale Ihlara

Já o Vale de Ihlara é um enorme canion esculpido por um riozinho muito agradável, em cujas paredes os cristãos do primeiro milênio construíram dezenas de igrejas, a maioria delas escavadas na rocha. Visitamos a de Santa Bárbara, na qual os fiéis capricharam na construção e nas pinturas, que se mantem preservadas em vários pontos. 



A Catedral de Selime

Fomos também a um local muito doido, A Catedral de Selime, onde, também escavando as rochas fiéis construíram a igreja, um monastério bizantino e mais um monte de moradas. Muitos afirmam que Guerra das Estrelas, o primeiro filme da série lançado (o quarto episódio) foi gravado ali. Mas não é verdade. George Lucas adorou o lugar e o teria mesmo usado, mas acabou filmando num lugar parecido na Tunísia, que na época oferecia melhores condições políticas. Massa demais.



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Turquia - parte 9

Capadócia

No ônibus que nos levava a Goreme conhecemos um cara que trabalha na cidade como guia turístico. Há muito pouco tempo ele havia trabalhado para a equipe da Globo que fazia gravações para a novela. O cara gostou da gente e acabamos nos encontrando na cidade para um chá e bater papo. Como um bom guia deve ser, ele sabia muito da história e geopolítica da região e nos deu várias dicas importantes. Mas ele nos fez mais: conseguiu um desconto muito bom em um voo de balão, que nos fez salvar mais de 100 reais.

Já a cidade, é um daqueles lugares praticamente únicos sobre a Terra. Povoações existem por ali por vários milhares de anos. Alguns estudos chegam a apontar 12.000 anos. Vendo as casa escavadas nas rochas fica mais fácil entender. A geologia do local é dominada por um tipo de rocha que tem uma excelente estabilidade e é relativamente fácil de se escavar com ferramentas de mão, mesmo as feitas com pedras por povos pré-históricos. Logo, desde há milênios o lugar se tornou habitado por povos que buscavam abrigo e proteção. E até hoje habitações, restaurantes e hotéis são construídos tendo pelo menos uma parte escavado em rocha. Nós ficamos em um hotel caverna.


Balão

É praticamente impossível conhecer alguém que visitou Goreme e não voou de balão. O lugar deve ter a maior concentração desse tipo de aeronave do mundo. Eles tem três coisas que favorecem a atividade, ventos em direções e intensidades adequadas, uma paisagem que é muito legal de se ver do alto e os próprios balões! Em um dia normal, mesmo em baixa temporada, mais de 100 balões chegam a levantar voo. As movimentações, o colorido e a fartura dos objetos voadores se tornaram uma parte da própria atração. Algumas atividades são muito ruins de se fazer quando está muito cheio de gente. Mas no caso do balonismo é exatamente o contrário. Quanto mais melhor.

De madrugada nos pegaram no hotel e fomos para o ponto de decolagem. Desde a chegada, o chá, a preparação dos equipamentos, o fogaréu dos maçaricos enchendo os balões, tudo faz com que a espera não seja simplesmente uma espera. E em algumas horas todos são chamados para seus balões. O piloto dá as instruções de como se deve proceder na hora do pouso e vamos embora.


Vale demais a pena. A todo momento tem algo diferente para ver, entre paisagens, os outros balões e o sobe-e-desce que o piloto faz com o veículo. O nosso voo teve um brinde: um casalzinho de namorados, ambos islâmicos se tornaram noivos durante o voo. O cara tirou um anel, se ajoelhou e fez o pedido. Choveram aplausos, a noivinha chorou, outras mulheres ficaram babando (menos Pretinha que já é muito bem casada e sabe disso). Pousamos sem maiores problemas ainda de manhã já estávamos de volta ao hotel.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Turquia - parte 8

Mais Istambul

A metrópole turca não é uma cidade que se pode dar por conhecida em apenas alguns dias. Vimos bastante coisa, mas saímos de lá sabendo que poderemos voltar várias vezes e sempre vai ter coisa pra ver, nova ou antiga mesmo.

Em outros passeios que não detalhamos fomos surpreendidos várias vezes. Conhecemos o antigo aqueduto, várias praças legais, o mausoléu dos sultões, comemos milho assado e torrado, provamos o “pilau”, ou algo assim, um lanchinho de arroz, frango desfiado e grão de bico acompanhado por um iogurte salgado que, pelo gosto e pelo preço se tornou nossa refeição mais frequente. Curtimos vários artistas de rua e volta e meia nos impressionávamos com a devoção dos fiéis islâmicos.



Atravessar o Estreito de Bósforo diariamente era quase sempre emocionante. Além de estar mudando de continente, ficávamos sempre na torcida para que algum das centenas de pescadores ali fisgassem alguma coisa, o que vimos 4 ou 5 vezes. Pra quem gosta, é um lugar bom para fazer compras. Talvez nem tanto pelos preços, mas pela variedade de artigos que não é comum encontrar em qualquer lugar, principalmente cerâmicas, tapetes e outros artesanatos.

Adquirimos também uma jarra elétrica, coisa meio rara no Brasil mas muito usada na Europa para aquecer água para um chá ou café ( no nosso caso, para fazer miojo também). Resolvemos pagar um pouco mais e esperamos ter mais sorte do que tivemos com o nosso ebulidor búlgaro, que explodiu na Grécia.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Turquia - parte 7

Mesquita Azul


Com certeza este foi um dos edifícios religiosos mais bonitos que visitamos em toda a viagem. Por fora o prédio é grande, imponente e ainda conta com 6 minaretes, coisa rara, talvez única. Por dentro é ainda mais impressionante. Incontáveis mosaicos, lustres, o tapete, azulejos predominantemente azuis fazem o turista ficar todo abestalhado. Ao chegarmos à mesquita um cara se ofereceu para nos ajudar. Disse que não era guia e sim dono com mais 4 irmãos de uma loja de tapetes. Ele nos fez entrar pela porta dos fiéis, mais vazia, ajudou Renilza a vestir o grande véu que eles emprestam para tapar decotes e braços.

Demos sorte. O cara tinha formação em Turismo e História e sabia explicar cada detalhe da construção, dos símbolos, as inscrições, etc. Nos mostrou como o posicionamento dos desenhos no tapete indicam onde os pés, joelhos cotovelos e cabeça se posicionam no momento da oração, além de contar curiosidades históricas da mesquita. Uma delas foi a decisão dos 6 minaretes e não apenas 4, o que é mais comum em mesquitas daquele porte. O sultão que encomendou a obra, numa carta ao arquiteto responsável manifestou sua vontade de usar ouro nos minaretes. Mas a palavra “ouro” na língua usada se parece muito com a palavra “seis”. A confusão resultou na construção dos seis minaretes.

Após a visita, obviamente o cara nos convidou para conhecer sua loja. Deixamos bem claro para ele que nós não temos o hábito de comprar coisas em viagem, mas ele insistiu assim mesmo. Nos serviram um ótimo chá, empregados começaram a desenrolar tapetes (começaram por um de 700 dólares) e iam nos dando detalhes da confecção. Mas acabamos por dizer que apesar de reconhecermos a qualidade dos produtos realmente não íamos comprar nada. Conversamos mais um pouco depois nos despedimos.

Museu de Arqueologia

Istambul concentrou no mesmo local uns 4 ou 5 prédios e jardins que compõem o Museu de Arqueologia. Interessante lugar a se visitar para começar a entender a vasta cultura do Oriente Médio. Não tem a imponência dos museus de Londres, mas vale muito a pena. Muitas peças, esculturas e documentos históricos, além de mapas, joias e utensílios de povos antigos, muito bem expostos. Um excelente vídeo em uma das entradas dá uma boa luz para o telespectador que não raramente fica perdido com a confusão da história protagonizada na região por Grécia, Roma, Turquia e Pérsia (e talvez outras). Destaque para o belo sarcófago de Alexandre, o Grande, exposta em uma área toda especial.


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Turquia - parte 6

Banho Turco

A essa altura do campeonato, em matéria de massagem corporal já havíamos experimentado massagem tailandesa, massagem indonésia, reflexoterapia, massagem cambojana e massagem chinesa. Será que os turcos teriam algo de novo a oferecer a esses corpos? Como saber? Pedimos no albergue uma indicação de um bom “banho turco” e nos indicaram justamente o lugar onde já tínhamos ido achando que era albergue.

O banho turco, com algumas pequenas variações é mais ou menos assim: você chega com roupa de banho entra em um salão quase todo de mármore que é um tipo de sauna. Se banha com água quente usando vasilhames. Aí o massagista te molha mais e com você sentado, começa a te massagear. No começo é só porrada. O cara desce a mão nas suas costas, e o pior é que você gosta.


Depois de alguns minutos ele te manda deitar numa plataforma de mármore e, com muita força, massageia e alonga dedos, pés, canelas, coxas, braços, tudo. O cara quase te arrebenta. Em algum momento ele usa óleo nas massagens. Depois, ele faz um esquema com sabão óleo e um saco de pano que provoca muita espuma e a espalha sobre seu corpo, e recomeça a sessão de massagens. A essa altura você já não sabe mais se está sentindo prazer ou dor, mas já tem certeza de que está gostando. Enfim, o massagista te enxágua com água fria e você fica ali tomando sauna. Pode rolar um chazinho depois, para ajudar no relaxamento. E está respondida a pergunta do primeiro parágrafo. Os turcos tem as manhas!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Turquia - parte 5

Futebol

O Brasil pode até ser famoso pelo futebol, mas se fanatismo contasse ponto, a Turquia com certeza nos deixaria no chinelo. O clássico principal, Fenerbahçe x Galatasaray paralisa o país e é um dos mais emocionantes do mundo. É impressionante o movimento que o esporte causa no país. Além desses dois a capital tem mais 2 times grandes e cada um tem o seu estádio. Os ingressos mais baratos custam cerca de R$50,00 e mesmo assim os estádios lotam.


Craques brasileiros recheiam os grandes clubes e são contratados a preço de ouro. Renilza e eu assumimos ficticiamente a torcida dos dois principais times. Já nem me lembro quem era Galata e quem era Fener. Era só para apimentar as conversas com as pessoas. Dava certo sempre. Até tentamos ir a um jogo, mas quando soubemos dos preços dos ingressos desistimos na hora.


O dono do albergue era torcedor doente do Fenerbahçe. Numa noite ele fez um esquema de telão para assistirmos um jogo contra um time alemão. Era quase madrugada, mas mesmo assim a turma fez uma bagunça enorme para cada um dos quatro gols turcos. Mais uma vez confirmei que se o Brasil tem tantos títulos é porque somos bons mesmo, porque se dependesse de torcida, tem outras muito mais fanáticas que a nossa.


Grande Bazar

O Grande Bazar de Istambul é o maior mercado coberto do mundo. Cerca de 300 mil pessoas passam por lá diariamente. E é muito bonito e organizado. Mesmo já estando acostumado a este tipo de lugar o visitante não deve deixar de conhecer o de Istambul. Incontáveis lojas de temperos, joias, roupas brinquedos, comida e tudo o que se pode imaginar. Além disso, o interior é muito bonito e em vários pontos paramos para tirar fotos do teto, dos lustres e pilastras.


O bazar é repleto de pessoas locais, mas é comum a visita de turistas, em grupos ou independentes. Contudo, devido a um certo glamour que o espaço adquiriu, se a preocupação do cliente é fazer bons negócios, ele deve ficar bem atento porque muitas mercadorias tem os preços bem melhores em lojas que ficam do lado de fora do bazar.


domingo, 25 de novembro de 2012

Turquia - parte 4

Chegada em Istambul 

Chegamos de manhã na metrópole turca. Não tínhamos reserva em nenhum hotel. Fomos atrás de uma indicação do Lonely Planet, mas o lugar era um banho turco. Fomos batendo de porta em porta nos hotéis e só achávamos opções caras, até que encontramos o Paprika (Planet Paprika Hostel). Em algumas horas fizemos amizade com o dono, sua assistente e mais três hóspedes turcos que eram praticamente parte do staff. Apesar das limitações de espaço, gostamos dali e ficamos por vários dias. É preciso dizer que Istambul é uma grande metrópole e espaço é algo que tem um alto custo.


Chegamos cansados da noite dormida no ônibus e não resistimos à cama do albergue. De tarde fomos convidados para participar de um protesto. É que no dia anterior um artefato explosivo atirado por tropas sírias contra os insurgentes naquele país caiu em território turco matando uma mulher e vários de seus filhos. A Turquia respondeu com bombardeio e o congresso do país dera liberdade para que o primeiro ministro declarasse guerra à Síria caso ele achasse necessário.

O protesto era contra a entrada do país em guerra. Aceitamos o convite e de noite estávamos lá. Como eu usava uma camisa da seleção brasileira dava para ver claramente os fotógrafos e cinegrafistas me mirando. Acabei sendo entrevistado por uma emissora local. Me perguntaram se eu sabia o que estava fazendo ali e eu respondi que visitava a Turquia a turismo, mas sabendo do protesto resolvi participar porque eu acreditava que um conflito naquela região envolvendo a Turquia poderia levar a consequências de abrangência mundial, por isso todas as nações deveriam dizer não àquele conflito. A galera do albergue gostou.


No dia seguinte começamos a explorar a cidade. De cara aprendemos que Istambul, mesmo sendo uma cidade enorme não fez com que seus habitantes ficassem carrancudos e desatenciosos. Foi a metrópole onde encontramos as pessoas mais agradáveis. A cidade não deixa a desejar em nada a outros gigantes europeus, como Londres ou Moscou. É limpa e organizada, além de ter um charme só seu. Suas mesquitas são muito bonitas e bem cuidadas. 


Apesar de oficialmente o país ser laico e não existir nenhuma exigência legal especial referente ao uso desta ou daquela vestimenta, o uso de roupas cobrindo braços e lenços na cabeça entre mulheres é muito comum. Entre os homens, quase não se via bermudas ou pessoas andando sem camisa, mesmo com o calor que fazia.

O Estreito de Bósforo divide a cidade em duas partes, um lado na Ásia e outro na Europa. Assim, podemos dizer que todos os dias a gente mudava de continente, até mais de uma vez no mesmo dia. Coisa muito chique. Numa das pontes que unem os dois lados centenas de homens se acotovelam na murada disputando espaço com suas varas de pescar.


A região metropolitana de Istambul tem mais de 13 milhões de habitantes e tem gente vivendo ali há mais de 8.000 anos. Nessa época o Estreito de Bósforo nem havia se formado ainda. Incontáveis terremotos aconteceram desde então e pode-se dizer que em nenhum lugar da cidade uma pessoa pode se sentir seguro quanto a isto. Os terremotos são mais um agente que torna a cidade cada vez mais famosa. Mas apesar disso e de outras mazelas, a Turquia sonha em fazer de Istambul a cidade sede dos Jogos Olímpicos de 2020. Já tem o nosso voto.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Turquia - parte 3

Pamukkale

Meu primeiro contato com este lugar foi em 1994, lendo uma revista na biblioteca da escola onde estudava. Quase 20 anos depois poder visitar o lugar teve um sentido de conquista pessoal. Trata-se se um conjunto de piscinas termais de origem calcária formadas ao longo dos séculos. Provavelmente a administração do local construiu estruturas para que a água fosse distribuída e se formassem piscinas mais aproveitáveis comercialmente. Se isto aconteceu ficou muito bem feito e a impressão é de que tudo é natural mesmo. Como se fosse pouco, no mesmo complexo ficam as ruínas de Hierápolis. Esta formação é considerada uma das belezas naturais mais raras do mundo.


Chegamos pela manhã, deixamos nossa bagagem numa empresa de ônibus e fomos direto para as piscinas brancas de água quente. Caminhando pela parte superior do calcário encontramos um enorme grupo de brasileiros que vieram em um pacote de turismo. Ninguém usava roupa de banho e estavam ali só para ver. Possivelmente o pacote não incluía tempos para entrar nas piscinas. Uma senhora ao nos ver encharcados nos perguntou onde estávamos nadando (ela ainda não havia visto as piscinas). Aí apontamos os locais e ela disse: “ah, mas essa água deve estar fria”... tadinha, deu uma pena. Ela nem sabia que se tratavam de águas termais. Demos um giro por Hierápolis também. Mais um bom trabalho de conservação das autoridades turcas. O que estas ruínas tinham de diferentes das outras que já acumulávamos no currículo era o fato de estarem próximas às formações das piscinas de calcário. A paisagem formada pela combinação é única.


Fizemos tudo em um dia, mas se ficássemos dois seria um bom negócio. Pegamos a noite um ônibus para Istambul. Não tomamos banho e estávamos com o corpo coberto de pó branco da água. Paciência.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Turquia - parte 2

Éfeso

Saímos de Kos, Grécia em um ferry pela manhã e logo já estávamos na costa turca de Bodrum. Desde a alguns quilômetros já avistávamos várias mesquitas, mudança na paisagem que naquela região indica a entrada na Turquia. Passamos fácil pela imigração e conseguimos almoçar ainda em Bodrum. Às 14h pegamos um ônibus para Selçuk, cidade de onde se acessa as ruínas de Éfeso.

A primeira surpresa: experimentávamos o melhor serviço de ônibus em nossas vidas, o turco. A regra geral no país são ônibus novos, bem mantidos, não raro com TV individual e fone, serviço de bordo com lanche e banheiro. Antes do anoitecer já estávamos em Selçuk. Já nesta cidade formamos uma excelente impressão do país. Ao contrário do que informa o famoso Lonely Planet (para as mulheres desacompanhadas, “nunca olhe diretamente nos olhos de um homem turco”, pois eles entenderão que você, como ocidental pode facilmente ser conquistada e são muito desagradáveis...), não tivemos nenhum problema de desrespeito.

Os comerciantes oferecem suas mercadorias, mas não são insistente e geralmente são muito agradáveis. As cidades são limpas e organizadas e a presença de gatos muito mansos pelas ruas é a regra por onde se vai. A Izabela, simpática polonesa que trabalha em um albergue que hospedamos em Istambul, nos disse que os turcos preferem os gatos aos cães por entenderem que estes são sujos. O uso de lenço e indumentária cobrindo todo o corpo não é uma obrigação legal para as mulheres, mas mesmo assim é bastante comum.

Já no dia seguinte fomos a Éfeso. Caminhamos uns três quilômetros e estávamos lá. Ganhamos até uma carona de um ônibus de turismo quando faltavam uns 500 metros. A cidade foi construída por populações gregas há mais de 2000 anos e Roma deixou sua marca na arquitetura quando dominou a cidade. As ruínas estão muito bem preservadas e fica claro que recebem um bom tratamento das autoridades turcas. 


O teatro da cidade chegou a ter capacidade para 25.000 pessoas. Em seu centro, demos uns berros para testar a acústica e ficamos impressionados. Com certeza alguém com uma boa voz se fazia ouvir facilmente por todos os expectadores. Criamos coragem e exibimos toda a ginga da capoeira que nós não temos. Ali conhecemos outro brasileiro, o Bruno, que curtia seu último dia no país antes de voltar pra Alemanha, onde trabalha e nos deu várias dicas sobre as cidades que pretendíamos visitar. 


Na volta para Selçuk ainda salvamos este elegante quelônio de um suicídio. O bichinho tentava atravessar uma autoestrada super movimentada e já havia se deslocado alguns metros rumo a morte certa. Encontramos um córrego que passava debaixo da estrada através de manilhas e o colocamos lá. Esperamos que ele tenha repensado sua vida e que tenha mudado de ideia.




Ainda caminhamos um pouco por Selçuk. Fomos a uma bela mesquita, tentamos ir ao castelo, mas decidimos que já estava bom e nos despedimos do Bruno na rodoviária, onde compramos nosso bilhete para Pamukkale.

domingo, 18 de novembro de 2012

Turquia - parte 1

Turquia

Um pouco de história

A Península da Anatólia, que constitui a maior parte da atual Turquia, é uma das áreas mais antigas do mundo habitadas continuamente. Falam-se de organizações sociais de mais de 7 mil anos. Dentre os povos que tiveram presença relevante na região estão os Hatitas, Hititas, (rivais do Egito), Assírios, Caldeus, Frígios, Cimérios e muitos outros.

Os gregos chegaram a partir de 1200 a.C., e fundaram cidades importantes, como Mileto, Éfeso e Bizâncio. A Anatólia fez parte das conquistas de Alexandre em 334 a.C. e após sua morte foi fragmentada em vários reinos.

Enfim, chegaram os Romanos. Em 324 d.C. Constantino I escolheu Bizâncio para capital do império (veja que moral!) rebatizando-a de Nova Roma. Após a sua morte mudaria de nome para Constantinopla e hoje, Istambul. Constantinopla foi a capital do Império Romano do Oriente, que existiu entre 286 e o século V, e ficou conhecido como Império Bizantino.

Os Seljúcidas (Turcos oguzes), originários das periferias de domínios muçulmanos, em 1071 derrotam os bizantinos. Mas em 1243 os mongóis derrubam os turcos e a área passa a ser dominada por inúmeros principados. No século XIII, um desses principados, os otomanos (descendentes de Osman) se impôs aos restantes e em dois séculos se tornou um dos impérios mais bem sucedidos da história, o Império Otomano.

Em 1453 os Otomanos conquistam Constantinopla e põe fim ao Império Bizantino, o que muitos consideram marcar o fim da Idade Média.

O Império Otomano atingiu o seu apogeu nos séculos XVI e XVII. E botaram terror. Ameaçaram seriamente a Europa Central e Itália. Como dominavam a principal rota comercial entre Europa e Ásia, os europeus foram forçados a achar outro caminho para chegarem às Índias, o que conseguiram com Vasco da Gama em 1498.

Mas, impérios já nascem fadados a se decomporem. E a partir do século XVIII foi a vez do Otomano começar o seu declínio. Seu final foi decretado pela união à Alemanha na Primeira Guerra. Deram trabalho aos aliados, mas foram derrotados. Tiveram que ceder à França e Reino Unido as terras da Palestina, Síria, Líbano e Mesopotâmia. Foi imposta a desmilitarização e transformação em zonas internacionais dos estreitos do Bósforo, dos Dardanelos e do Mar de Mármara, além de entregar à Grécia a região de Esmirra, dentre outras perdas. Ou seja: uma humilhação total.

O “acordo” foi tão desfavorável que é claro que um povo tão cheio de brios não ia aceitar quieto. Já a menos de dois anos após o fim do conflito, se iniciava um movimento pela “Independência” turca. A princípio um movimento político, logo se formaram frentes militares em várias direções.

Após travarem guerras contra Armênia, França e Grécia, em 1922 a República da Turquia surge como uma país, tendo suas fronteiras atuais aí delimitadas. O fim da guerra ficou marcado pela troca de populações entre Turquia e Grécia. Cerca de 2 milhões de pessoas foram deslocadas. Muçulmanos foram da Grécia para a Turquia e cristãos ortodoxos fizeram a rota contrária.

Na Segunda Guerra só entrou no conflito em 1945, mas dessa vez, no lado vencedor. Devido à proximidade com a Rússia, recebeu grande apoio militar dos Estados Unidos na Guerra Fria e desde a década de 50 faz parte da OTAN, tendo sido considerada uma forma de barrar a expansão do comunismo na região. Sua localização também é estratégica no sentido de separar a Europa dos países “não alinhados” do Oriente Médio, como Irã e Síria.

Em 1960, 1971, 1980 e 1997 ocorreram golpes de estado militares que interromperam temporariamente a democracia.

A Turquia é muito rica em recursos naturais e tem experimentado nas últimas décadas grandes avanços econômicos. Se não fosse a forte oposição de algumas lideranças, principalmente da França, provavelmente já estaria na União Europeia.

Desde a década de 1970 a Turquia enfrenta um forte movimento do povo Curdo exigindo maior autonomia e até mesmo independência. Em 1984 iniciou-se uma luta armada e mais de 30 mil pessoas já morreram no conflito.