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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Romênia - parte 6

Sinaia

Em Sinaia fica o Castelo de Peles, edifício mais visitado por turistas no país. Foi o primeiro prédio a receber iluminação elétrica na Europa e é um dos mais bonitos do mundo. Foi construído pelo Rei Carlos I em uma época de muita prosperidade. Mesmo assim, o luxo extremo em prédios públicos, seja em qualquer época sempre nos causa asco. Mas que é bonito é. Tem tanta decoração e paredes entalhadas que fica difícil imaginar alguém morando ali. Se a pessoa se distrai pode sair derrubando aquelas bugigangas umas sobre as outras. Até um cinema há lá dentro.


Creio que gastamos uma hora lá dentro e logo que saímos fomos procurar a estação de esqui, para subir a montanha em um teleférico. Possivelmente fazia 35 graus ou mais e não pegamos neve na estação. Mas lá em cima batemos um pratão de churrasco com batata que nos fez muito felizes. De lá se tem uma ótima vista da cidade e de outros lugarejos. Não entendemos do assunto, mas para quem pretende esquiar, Sinaia é famosa como boa opção de “baixo” custo para esta atividade.

Sighisoara

Ali nasceu Vlad, o Drácula. Mas ainda criança o capetinha já havia se mudado para outras terras. Porém a cidade tem boa parte de sua fama atribuída ao nascimento do herói. A decepção fica por conta de a casa onde o pestinha nasceu hoje abrigar um restaurante, que usa e abusa desta peculiaridade e cobra preços que só alguém muito cruel poderia cobrar. Ou seja, talvez a maldade atribuída ao Vlad tenha sua origem nesta casa. Todos sabem que casas mal-assombradas são comuns em todo mundo. Porque não seria o caso do país de Vlad?


Sighisoara é bonitinha, mas lembra aquela atmosfera de Tiradentes, Búzios, Parati... o que geralmente não nos agrada. Muito afrescalhada, cheia de lesco-lesco...

Mas foi um dia agradável, viagem de trem e uma boa caminhada por uma cidade bonitinha.

Próxima parada: Dilmasland.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Romênia - parte 5

Bran

Saímos de Brasov em uma manhã em um ônibus intermunicipal todo cheio de enfeites e chegamos a Bran sem maiores dificuldades. Esta é a localidade de endereço do Castelo do Conde Vlad II, inspiração para o Drácula. Como já foi descrito acima, Vlad era feroz e usavas técnicas de tortura e execução muito radicais. Mas seu povo o admirava muito, pois era reconhecido como um governante justo e muito corajoso em batalha.

Suas maldades, aliás, se justificariam: suas terras eram constantemente assediadas pelo ultra poderoso Império Otomano. Conta-se que certa vez, um corajoso guerreiro Otomano desistiu de invadir com suas tropas a Transilvânia depois de avistar e se aterrorizar com a carnificina e a podridão de milhares de corpos que haviam sido empalados e deixados expostos a mando de Vlad.


Pois bem. Apesar da fama mundial do Drácula, os romenos não dão muito bola para isto. Mas em Bran há uma boa exploração do mito do vampirismo nas lojas de artesanato. O castelo é bonito, mas não chega a ser impressionante se comparado a outros muito famosos pela Europa. Mas pelo menos tem originalidade. Gostamos de saber que o luxo ali não era muito exagerado.

Percorremos todos os cômodos, que estão organizados mais ou menos como um museu. Um dos andares é dedicado atualmente a servir de museu sobre a vida de Maria da Romênia, antiga rainha, que lá viveu no início do século 20. Mas não nos interessamos por isso. Preferimos explorar as escadas e túneis. E qual não foi nossa surpresa ao encontrarmos por lá um vampiro de verdade, ostentando o charme comum desses seres.


Curtimos também um pouco dos jardins e da feira de artesanatos situada próximo ao castelo e fomos embora. Ainda de tarde já estávamos no hotel.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Romênia - parte 4

Ida para o interior

Chegamos a Bucareste com poucas expectativas e estas, com dificuldade, já estavam satisfeitas. Seguiríamos para a região da Transilvânia. Era tarde do nosso terceiro dia e sairíamos no quarto. Mas Renilza, que acabara de se curar do tornozelo torcido, ao se curvar para amarrar os cadarços, lesionou a lombar. Mais do que torcer tornozelo, sua coluna dar pau é ainda mais comum.

Tadinha. Ela estava na minha frente, conversando e de repente soltou um “ai”. Já estava condenada. Eu a ajudei a se deitar na cama e ela não conseguia nem tirar o tênis. A primeira coisa que fizemos foi informar na recepção que ficaríamos mais uns dias. E demos início ao tratamento, com anti-inflamatório e aplicação de gelol e aquelas gases que se colam à pele.

Apesar de a cidade não ser lá aquele paraíso, tivemos boas experiências. Conhecemos uma jovem em uma sapataria que correu para nos atender, pois suspeitava que éramos brasileiro, pela cútis. Ela disse que adorava o Brasil. Sabia várias coisas, nomes de rios era fã do Tribalista. Registre-se: na Romênia ouvimos a maior variedade de músicas brasileiras. Michel Teló e Tche Tchererê Tchê Tchê tocam no mundo todo. Ouvimos também Bará Berê, Tribalistas e Carrapicho (bate forte o tambor...) além da saudosa “chorando se foi quem um dia só lhe fez chorar...”.

Brasov

Localizada no centro do país Brasov foi escolhida pela sua localização para sediar nossa base de exploração a um monte de lugares. Nela mesmo, apenas fizemos caminhadas e um passeio de teleférico subindo a montanha que domina a cidade e exibe um enorme letreiro com o seu nome. Somado à bela paisagem e à excelente luminosidade da tarde escolhida, deu um ótimo resultado. Chegamos lá com chuva caindo e fazendo um friozinho arretado. Mas foi só neste dia que pegamos chuva.

Em Brasov ficamos em um hotel bem melhor, mais organizado e com funcionários realmente prestativos. Isto nos fez acreditar que escolhemos o lugar certo como base. Além disso, a cidade era bastante agradável, apesar de não ter nada de especial.


domingo, 28 de outubro de 2012

Romênia - parte 3

Bucareste

A capital do país nos pareceu uma cidade gasta. Os prédios e casas volta e meia nos pareciam não terem sido pintados, árvores pediam poda e era comum ver trepadeiras dominando semáforos e placas. Além disso, a cidade deu um grande azar de ter seu nome relativamente parecido com Budapeste, cidade bem mais famosa e visitada. Isto já rendeu pelo menos duas situações constrangedoras com celebridades: numa delas o mestre de cerimônias em um estádio de futebol numa partida internacional cumprimentou os torcedores com um sonoro “BOA NOITE BUDAPESTE”! E foi respondido com vaias. Na outra, Michael Jackson teria dito aos fãs “Eu amo Budapeste”!



Palácio do Parlamento

O calor na cidade estava desumano e nosso albergue era bastante limitado. Não tinha nada das vantagens de um albergue, estava mais para um modesto hotel. Então tínhamos que partir para o ataque. Assim que possível fomos visitar o Palácio do Parlamento. No palácio só havia disponibilidade de visita em tours guiados. Aí começaram as decepções com a cidade. Teríamos que esperar mais de uma hora para a próxima visita, mas eu precisava ir ao banheiro. Não havia opção. Apesar de ser talvez a atração turística mais importante da cidade, eu só poderia usar o banheiro quando já estivesse dentro do prédio, no meio do tour. Paciência. Me segurei como pude.

O prédio é o maior palácio do mundo. Lá funcionam a Câmara e o Senado da Romênia. O palácio realmente é uma contribuição para a arquitetura mundial, apesar de nunca ter sido concluído. Foi encomendado pelo ditador Nicolae Ceausescu e o luxo que se pretendia obter e em boa parte se conseguiu alcançar é uma ofensa ao povo romeno, que tinha uma grande parcela de pessoas em condições miseráveis.

Pinturas, entalhes, móveis, lustres, são realmente muito bonitos, mas pode-se ver claramente que não foi barato para os surrados cofres públicos. Há muito exagero em quase tudo. Em um salão, um tapete que, fica enrolado em um canto não é colocado na posição normal porque é muito pesado. Pesa mais de 30 toneladas e a dificuldade para desenrolá-lo torna a tarefa inviável.



Village Museum

Localizado dentro de um grande parque na cidade o Village Museum tem uma proposta interessante: retratar as diferentes formas de habitações e os hábitos dos cidadãos do país em diversas épocas e localidades. Está bem cuidado e, devido à grande quantidade de árvores, as sombras tornam o passeio muito agradável.



Centro Histórico

Para encerrar a cidade demos uma volta pelo centro histórico, tentando dar uma chance à cidade de mudar a primeira impressão. Infelizmente não conseguiu. O centro histórico está mal preservado e praticamente não se vê nada de novo por ali. Aliás, vê-se muitos bares e algumas boates com fotos de belas mulheres. Infelizmente Bucareste hoje é uma cidade que atrai muitas pessoas pelo turismo sexual.


sábado, 27 de outubro de 2012

Romênia - parte 2

De volta para a viagem

A chegada à Romênia marca o retorno ao nosso roteiro. Saímos de madrugada de Milão e ainda de manhã estávamos no Aeroporto Internacional de Bucareste. Nos primeiros corredores do aeroporto já víamos propagandas estreladas por Nádia Comaneci, a segunda pessoa nascida na Romênia mais conhecida no mundo (a primeira com certeza é o Drácula).

Fazia um calor infernal, mas não achamos isto ruim. A entrada foi tranquila, com as perguntas básicas das autoridades (propósito, lugares que visitaremos, tempo, etc). Pegamos um ônibus no aeroporto e descemos alguns quilômetros antes do local desejado. A caminhada foi boa para termos certeza de que o pé de Pretinha estava bem. Enfim, de volta ao leste europeu.

Um pouco de história

Documentos históricos persas de mais de 2500 anos comprovam que Dario havia encontrado tribos vivendo na área da atual Romênia. Eram os Getas. Vários povos caminharam e deixaram suas marcas por lá depois disso: Dácios, Godos, Gépidas, Avaros... Muitos impérios dominaram a região, como o Huno, o Búlgaro, Romano, Otomano, Russo.

O nome “Romênia” vem de a região ter sido uma província do Império Romano naquela área que era na sua maioria dominada por povos de tradições muito diferentes das de Roma. Isto fica claro quando se compara o idioma Romeno com as línguas dos países vizinhos (Bulgária, Ucrânia, Hungria). A língua romena é de origem latina e várias palavras são perfeitamente entendíveis para nós (rua = strada, casa = acasa, homem = om, mulher = femeie). .

A Romênia moderna nasceu quando os principados da Moldávia e da Valáquia fundiram-se em 1859. Após a Primeira Guerra (na qual aliou-se às potências da Tríplice Entente), a Romênia viu a sua área de soberania duplicada com as aquisições da Transilvânia e da Bessarábia.

A Transilvânia é uma região com belíssimas montanhas, dotadas de picos pontudos, que ficou especialmente famosa depois da publicação da obra do escritor irlandês Bram Stoker, “Drácula”, de 1897.

Vlad III, que governou esta região por vários anos no século XV e foi a inspiração para Bram Stoker é historicamente conhecido por sua política de independência em relação ao Império Otomano, cujo expansionismo sofreu sua resistência. Dentre suas “técnicas” para aterrorizar os inimigos, estaria a empalação, que é um método de tortura e execução que consiste na inserção de uma estaca no ânus, vagina, ou umbigo até que o corpo seja atravessado. Era usual deixar um carvão em brasa na ponta da estaca para que, quando esta atingisse a boca do infeliz este levasse algumas horas para morrer de hemorragia. Usava-se também cravar a estaca no abdômen. O cara tinha estilo, mas vampiro mesmo ele não chegou a ser.

Após a Segunda Guerra Mundial, a Romênia tornou-se um estado comunista sob direto controle econômico e militar da URSS até 1958. O Regime se acabou com a queda do ditador Nicolae Ceausescu na Revolução de 1989. Como todos os outros países do bloco socialista na Europa, os anos após o colapso foram duros. Em 1997 a Romênia iniciou um grande programa de reformas estruturais e estabilização macroeconômica.

Apesar das nítidas melhorias, a Romênia ainda enfrenta vários problemas-chave: corrupção elevada, falta de transparência a respeito dos gastos públicos, falta de competitividade econômica, especialmente no sector agrícola. Em 2007, passou a fazer parte da União Europeia.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Romênia - parte 1

Romênia

República da Irlanda, julho de 2010. Estávamos de férias no país, com um carro alugado, ainda tentando entender a rotina dos Irlandeses. Fazíamos por nossa conta um tour conhecido por lá como Ring of Carry. Descobrimos um passeio dentro do passeio que não estava previsto e resolvemos fazê-lo. Para isso teríamos que dormir em uma pequena vila.

Para o pernoite fomos a uma cidade próxima comprar roupas e quando chegamos à vila, famintos, tudo estava fechado. Não tínhamos ideia de como nos alimentaríamos. Mas, veja como são as coisas... descemos do carro na porta do pequeno hotel. Enquanto eu pegava os pacotes no porta-malas Renilza foi andando e um homem se aproximou dela, com uma panela de macarronada em uma mão e uma grande colher na outra, falando para ela algo assim: “Romênia, Romênia, espaguete” e batia a colher na panela. Renilza se virou para mim assustada e rindo e eu não sabia o que fazer.

Aquele senhor nos cercou, nos fez sentar em uma mesa de bar colocada à frente do hotel e foi gritando para a gente e batendo na panela: “Romênia, paaammm (onomatopeia representando o som da batida), Romênia, espaguete”. Sem que respondêssemos serviu dois pratões de macarrão para a gente. Dois rapazes se aproximaram rindo. Eram jovens também vindos da Romênia. O senhor em seguida serviu cervejas para todo o grupo, inclusive a gente. Antes de esvaziarmos os pratos, ele lascava mais colheradas de macarrão. Estava ótimo. Eu estava adorando aquela fartura.

Aquele senhor, apesar de viver na Irlanda há mais de 15 anos falava muito pouco inglês, mas os rapazes faziam um bom meio de campo. Chegou um vizinho irlandês e ficamos conversando ali um tempão, sem acreditar no que acontecia. E o senhor repetia: “Presente da Romênia!”. Foi a primeira vez que a Romênia entrou em uma lista de lugares que gostaríamos de visitar. Podia ser inocência nossa, mas pensamos que um país que gera pessoas tão agradáveis com certeza é um lugar especial.

Já na Romênia, várias vezes nos perguntaram o motivo de termos ido ao país (por incrível que pareça, foi o lugar onde mais vezes isto foi perguntado) e a gente contava este caso.

Por outro lado, devido ao encontro com pessoas desagradáveis, outros países já foram cortado de nosso roteiro.

No episódio da macarronada começamos a entender como as nossas ações como viajantes são importantes para o nosso país. Quando somos simpáticos, receptivos, honestos e respeitosos estamos transmitindo para as pessoas que encontramos que o nosso povo é assim. Em uma terra estrangeira, cada visitante é um embaixador. Temos a consciência de que cada vez que interagimos com alguém em um lugar pouco visitado por brasileiros, é bem possível que sejamos os primeiros que esta pessoa conhece e ela pode formar uma ideia de todo um país baseado apenas no que viu na gente.