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domingo, 17 de março de 2013

Rumo ao Brasil

Depois de Machu Picchu não sobrou mais nada. Brincadeira, heheheh. A nossa listas de lugares a serem visitados nunca esteve tão grande. Mas a viagem tinha que acabar. Por questões de grana, cansaço e também saudade, definimos que a viagem já tinha dado o que tinha que dar.

Pegamos um ônibus de Cusco para Lima. Passei um mal danado. Cruzamos um trecho de grande altitude e o sistema de ar condicionado do busão não mandava ar em quantidade suficiente. Tive vontade de vomitar, minha pressão baixou, Renilza ficava abanando uma revista, o comissário me deu comprimido, chá de coca e um pano molhado em uma mistura de álcool com uma planta que não conhecemos. Isso foi só por umas 4 horas. Depois eu dormir. De manhã, já superado o trecho de altitude, vimos que nossa garrafa de água mineral estava toda retorcida. É que dentro dela ficou o ar rarefeito da montanha e com o ar normal das terras baixas de fora a garrafa foi pressionada. 

Depois de 20 horas de viagem, já em Lima, pegamos um taxi para o aeroporto. Ali a gente ia tirar uma prova. É que nosso bilhete de volta ao mundo previa que nosso último voo, o que nos traria ao Brasil deveria ser feito antes de completar um ano da data do início da viagem, ou seja, no dia 09 de fevereiro de 2013. Mas Renilza teve uma ideia: ligaríamos para a LAN e pediríamos para alterar a data do voo, se necessário, pagando uma taxa extra. Fizemos isso mas não tocamos no assunto do dinheiro. Pedimos para mudar o voo para o dia 19 de fevereiro. Não dava. Então pedimos para a próxima data possível sem pagar taxa. Conseguimos para o dia 25. Imediatamente Renilza confirmou no site da LAN que o voo estava alterado. Mas tínhamos medo de chegar para o check in e a atendente nos dizer que não poderíamos voar e coisa e tal. 

Mas deu tudo certo. Voamos de Lima para São Paulo e de São Paulo para BH. A mãe,a irmã e a tia de Renilza nos esperavam na Pampulha. Meu irmão nos encontrou para devolver o nosso carro que ficou com ele e aproveitou a feijoada feita pela mãe da Renilza para nos receber. Logo chegaram mais parentes e amigos. 

Então, terminou assim nossa viagem de volta ao mundo em 384 dias. Nenhum parente ou amigo nosso morreu nesse período. Ganhamos uns quilinhos, não temos mais casa, não ficamos famosos e muito menos nos enriquecemos. Pelo contrário...

Agora é descansar um pouco, rever amigos e parentes, procurar emprego... nada que justifique ser relatado em um blog. Mas o rrmundoadentro vai ficar no ar. De vez em quando quem sabe a gente não se encontra por aqui?

Seria impossível manifestar nossos agradecimentos de forma justa neste espaço. Muitas pessoas nos ajudaram. Os amigos de verdade praticamente viajaram com a gente. Nos acompanhando pela rede ou através de e-mails nos mantivemos próximos. Estiveram de prontidão caso fosse necessário e saber disso nos deu tranquilidade para realizássemos esta volta. Muitas pessoas foram fundamentais. Abrigaram nossos pertences, cuidaram da nossa cachorrinha, nos davam dicas de lugares para conhecer, foram nossa referência de contato, nos ajudaram a manter o blog, nos receberam em suas casas no exterior, enfim, vocês foram fundamentais nesta viagem e são fundamentais em nossas vidas. Esperamos nos encontrar em breve. Muito obrigado por tudo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Peru - parte 3

Cusco

A antiga capital dos incas está tomada por igrejas, conventos e praças que não foram feitos obviamente pela administração inca. Isto não quer dizer que sejam feias. Na verdade, quando chegamos na cidade achamos tudo meio deprimente. Os morros ao redor do centro histórico são lotados de casas e barracos que foram feitos totalmente fora do conjunto arquitetônico que torna a cidade famosa. Porém, já dentro do centro histórico pode-se esquecer isto facilmente. A noite então a cidade é realmente linda.

  
Nos arredores há algumas atrações que justificam a estadia do turista por alguns dias. Mas o tempo não estava bom e sentimos um pouco os efeitos da altitude. Uma dorzinha de cabeça aqui e uma respiração difícil acolá. Nada grave, mas que gerava uma vontade de ficar no hotel, hehehe. Mesmo assim demos umas voltas pela cidade e até fomos à Fortaleza de Sacsayhuaman. Mas no alto do morro começou a chover e decidimos não entrar, pois eles tinham um esquema estranho de cobrança. Se você aluga um cavalo e serviço de guia o preço é um. Se decide ir por sua conta, a entrada custa quase o dobro, cerca de 50 reais. Como estava chovendo e achamos aquilo um absurdo, decidimos não entrar. Descemos o morro e voltamos para a cidade.

Machu Picchu

Há quinze anos, quando eu era estagiário em uma empresa de geologia e fazia curso pré-vestibular, lendo sobre Machu Picchu e trilha inca, decidi que um dia eu ia conhecer esse lugar. Era 1998 e as coisas estavam difíceis. O Brasil saía de uma crise econômica e entrava em outra e as perspectivas eram horríveis. Mesmo assim criei esta utopia. Não sabia como, mas decidi que eu queria viajar. Depois de sonhar com Machu Picchu, desejei conhecer outros lugares e a lista foi crescendo. Mesmo que na época eu não tivesse grana nem para sair de Minas, entendo que neste momento eu me tornei um viajante.

Nunca tive outra ambição que não fosse viajar muito. Várias vezes planejei esta viagem. Até de carona eu pensei em fazê-la. Descobri cedo um roteiro que já é quase tradicional: passar a fronteira com a Bolívia pelo Mato Grosso do Sul, pegar o Trem da Morte até Santa Cruz, ir pra Cusco e daí fazer 3 ou 4 dias de trilha e, enfim, chegar a Machu Picchu. O tempo passou, e por um motivo ou outro, Machu Picchu foi adiado. Mas nesta viagem de volta ao mundo ela não podia ficar de fora. Porém cometemos um erro: chegamos ao Peru em fevereiro, justamente o mês em que a trilha inca fica fechada. Por outro lado temos que confessar que um ano de viagens sem atividades físicas regulares e alimentação pouco uniforme nos deixou em péssima forma física perto do que éramos um ano antes. Assim, mesmo havendo uma outra trilha alternativa, caímos na real e decidimos que não tínhamos condições de vencer a caminhada. Mandamos e-mails para alguns amigos que nos disseram para ir a Machu Picchu mesmo que fosse de trem, pois valeria a pena. E foi o que fizemos.

Pegamos o trem para Águas Calientes e reservamos 3 dias e 2 noites na cidade, sabendo que não seria necessário tudo isto. Mas queríamos fazer o passeio de forma tranquila. Na manhã do segundo dia pegamos o ônibus e chegamos ao parque.

Exceto o fato de não haver banheiros dentro da área, que exige várias horas para ser explorada, a cidade de Machu Picchu está muito bem mantida. Chegamos por volta das 8h e começamos a bater perna pela cidade em ruínas. O fato de a cidade não ter sido descoberta pelos colonizadores e provavelmente ter sido abandonada pelos moradores originais e em seguida dominada pela floresta a manteve afastada dos saqueadores. Hoje boa parte dos prédios são reconstruções, o que não deprecia o patrimônio histórico.


Compramos pela internet um bilhete de entrada que também dava acesso à trilha que leva ao topo da montanha maior, que forma o nariz da face formada pelo conjunto de montanhas ao lado da cidade. A caminhada não foi fácil, mas vale muito a pena, pois ali também tem construções incas e de lá se avista a cidade de frente. O dia estava bonito e decidimos descer a encosta para visitar a Grande Caverna. Vale a pena pelas paisagens, mas a caverna em si não tem nada demais. Porém, a volta foi mais complicada. Nossa água acabou e até tentamos coletar um pouco das gotas que pingavam de uma rocha, usando nossas jaquetas como um acumulador, mas depois de alguns minutos e uns 300 ml coletados, vimos que nós estávamos nos encharcando. Voltamos a subir e pouco depois começou a chover. Mas conseguimos chegar sem acidentes e ainda demos um passeio pela cidade em ruínas mesmo na chuva. Havia a vantagem de ter menos turistas.


Enfim, saímos do parque quase 4h da tarde e fomos para o ponto esperar nosso ônibus. Ali, uma cena triste: um outro ônibus chegava cheio de turistas japoneses que teriam menos de uma hora para conhecer Machu Picchu e com chuva caindo.

Voltamos para Águas Calientes muito satisfeitos por termos feito o passeio, pois mesmo sem a Trilha Inca a visita valeu a pena. Foi o último passeio de nossa viagem de um ano, fazendo assim um encerramento com chave de ouro.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Peru - parte 2

Chegada

Aterrissamos em Lima perto da meia noite e nosso plano era dormir em algum canto no aeroporto e no dia seguinte pegar um ônibus para o interior. Mas Pretinha estava com uma cólica horrorosa, então, de madrugada, pegamos um taxi para um albergue que tínhamos o endereço e ficamos por ali. Então resolvemos nos dar um tempo para estudar melhor o Peru, pois em Cuba estávamos sem internet. Dois dias depois estávamos em um ônibus para Arequipa.

Arequipa

Esta é uma das cidades mais importantes do Peru, com uma arquitetura ímpar e uma história complexa. Mas não tem jeito. Desde 24 de janeiro de 2006, quando escutava ou lia sobre a cidade, me lembrava de nosso amigo Betão. Na madrugada deste dia, um ônibus com estudantes da UFMG que seguia para a Venezuela para levá-los para o Fórum Social Mundial, quando passava por Arequipa saiu da pista e tombou violentamente. Quatro estudantes morreram, incluindo nosso amigo. Que ele esteja bem. Mas a partir de agora teremos lembranças melhores da cidade.

Chegamos de Lima cedo e depois de um taxi para o centro e batermos pernas por uma hora encontramos um hotel que nos atendia. Pouco depois almoçamos um “rocoto relleno”, comida típica local. O tal rocoto é uma pimenta do tamanho de um tomate, que se recheia com carne e outras coisas. É muito bom, mas arde de verdade. Lágrimas rolaram dos meus olhos, mas conseguimos comer.

Demos umas voltas pelo centro, mas tivemos preguiça de entrar nas igrejas e conventos históricos. Os colonizadores chegam, destroem uma cidade e constroem outra em cima, usando as mesmas pedras. Para ajudar a impor sua cultura constroem templos (igrejas católicas) enormes com mão de obra escrava e esses templos, 500 anos depois são atrações turísticas. A história se repete... e por fim enche o saco. Mas realmente as construções históricas são bonitas e originais.

  
Cânion de Colca

Compramos nosso passeio no próprio hotel, devido ao menor preço. Dezenas de agências vendem os mesmos passeios e não é fácil saber os que são bons ou ruins dentro de uma mesma faixa de preço. Se tratava de um passeio de 3 dias, com duas noites em lodges localizados ambos no vale do Rio de Colca.

As noites estavam muito chuvosas e ficamos sem luz justo na hora em que tínhamos que arrumar as mochilas. Usamos nossas lanternas até as duas de apagarem, mas conseguimos deixar tudo pronto. Por volta das seis da manhã a van nos pegou no hotel. Fomos em direção à Chivay. Ali tomamos o café da manhã. Depois a viagem continuou. Fomos subindo, subindo subindo, até que, perto dos 4000 metros começamos a sentir os efeitos da altitude. Nada muito pesado. Uma pequena dor de cabeça e a respiração difícil, como um ataque de asma não muito forte.

A primeira parada foi na Cruz del Condor, onde se espera que fossem vistos os tais pássaros, mas só tinha neblina. Ali compramos um servido pacote de folhas de coca. Então, volta e meia a gente mascava umas folhinhas e isso ajudava a superar mais facilmente os efeitos da altitude. Na segunda parada, onde estão construindo um museu para a “Princesa Juanita”. Uma múmia inca de uma garota que teria sido sacrificada para algum deus. Mas a múmia mesmo está em uma universidade. Neste ponto descemos das vans e os guias organizaram os grupos para começar a caminhada. Poucos minutos depois vimos os primeiros condores.

O primeiro dia não foi difícil. Praticamente só descidas. As paisagens, cada vez mais bonitas, são fotografadas várias vezes por todos, já que a descida é em zig-zag às vezes nos impressionamos com a mesma paisagem mais de uma vez. Nosso grupo tinha a gente, o guia Juanito, uma alemã chamada Alex, um casal de um chileno e uma americana e outro casal de chilenos. Grupo tranquilo, todos gentis e até voluntariosos.


A primeira noite seria em um lodge muito ruim. O quarto só tinha uma cama e um toco, que era um pedaço de um tronco de árvore. O banheiro não oferecia um mínimo de privacidade. Todas as paredes feitas de bambu, de forma que o usuário enquanto obrava podia ver e ser visto por todos. O chuveiro só tinha água fria. E o local era frio à noite. A janta, um horror, de tão pequena. Uma sacanagem com o hóspede, que passou o dia inteiro caminhando. E o pior é que estava em expansão. Em vez de os donos investirem para darem um mínimo de conforto, estavam construindo mais habitações.

O segundo dia teve uma parte de caminhada no plano e outra em subida. As paisagens continuam impressionando. Cruzamos alguns povoados nas montanhas. Juanito, nosso guia, nos apresenta uma pedrinha feita de uma massa de sementes, farina e folhas de coca. Misturamos aquilo com mais folhas de coca e o efeito destas aumenta legal. Ao mascarmos aquilo, os lábios e língua ficam um pouco dormente, mas os efeitos da altitude são esquecidos por algumas horas. No meio da tarde a gente chegou ao Oásis, o lodge onde passaríamos a noite. O almoço, uma macarronada meio fraca, mas que não foi das piores. O legal é que tinha uma piscina de água morna. Mas a janta foi decepcionante. Do frango que foi compartilhado por umas 20 pessoas só me coube um osso de coxinha, quase sem carne. Fomos dormir cedo porque não tínhamos o que fazer. Mas esquecemos de colocar o relógio pra despertar e saímos uma hora atrasados, por volta das 5h30 da manhã.

Esse dia foi duro. Uma subida de 3 horas, com mais de 1000 metros de diferença de nível. Apesar de sermos os últimos do grupo a chegar, subimos dentro do tempo previsto. Fomos com calma, parando para descansar com muita frequência, mas por pouco tempo de cada vez. Enfim, chegamos ao topo, tomamos café da manhã e seguimos para Chivay, onde um banho em águas termais e um almoço em buffet livre, tudo pago a parte, nos esperava.


Mas não havia acabado. No retorno para Arequipa passamos por paisagens muito bonitas. Atravessamos um planalto onde atingimos a altitude de 4910 metros. Dos dois lados da pista haviam vários bandos de lhamas, alpacas e ovelhas. Infelizmente não pegamos neve, mas mesmo assim os pastos, lagoas e montanhas eram muito bonitos.


E no início da noite chegamos ao hotel. Dois dias depois partimos para Cusco.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Peru - parte 1

Um pouco da história do Peru

Nas terras do Perú se desenvolveram as primeiras civilizações da América, sendo a primeira delas de nome Caral, que floresceu na costa do pacífico entre 3000 e 1800 anos a.C.. Substituindo umas as outras e às vezes coexistindo, vieram outras, como Cupisnique, Chavin, Paracas, Nazca, Wari e Chimu. A última civilização pré-colombiana e que foi o maior estado desses tempos foi a Inca. Em pouco mais de um século, usando da força ou de assimilação pacífica, os incas dominaram uma área que ia desde o Equador até o noroeste da Argentina. Foram bem longe no desenvolvimento de técnicas de construção e agrícolas. Conseguiram tornar agricultáveis terrenos extremamente acidentados e em grandes altitudes. Também eram bons na pesca e na criação de animais.

Mas tudo se ruiu com a chegada dos Espanhóis. A varíola trazida por estes de forma não intencional fez um estrago tão grande que antes mesmo dos primeiros combates o império já estava arruinado e não era nem sombra do que fora anos antes. O Imperador Inca Huayna Capac já havia morrido em uma epidemia e deixou o reino em disputa entre seus dois filhos. E foi nessa ordem das coisas que os espanhóis dominaram tudo de forma incrivelmente fácil, vencendo exércitos muito maiores porque tinham melhores estratégias, armas e experiência militar. Afinal, além de tudo, os incas estavam acostumados com guerrinhas contra tribos vizinhas ou povos bem mais fracos e desta vez toparam com a Espanha, país cuja maior especialidade que um dia teve foi dominar e roubar povos mais fracos usando das técnicas mais covardes possíveis e sem um mínimo de ética. 

Em 1542 a Espanha criou o Vice-Reino do Peru, que incluía todas as suas colônias da América do Sul. Já em 1570, o vice reino estava organizado com uma economia baseada na mineração com o uso maciço de mão de obra escrava indígena. Os produtos peruanos deram muita mordomia à Espanha, mas no século XVIII as divisas enviadas para a Espanha já não eram aquelas coisas e a Espanha aumentou impostos e dividiu o vice-reino peruano. Várias revoltas surgiram aí e todas foram derrotadas. 

No início do século XIX, enquanto a maioria da América do Sul era assolada por guerras de independência, o Peru continuou a ser um reduto monarquista. Como a elite hesitou entre emancipação e lealdade para com a Espanha, a independência foi obtida apenas após as campanhas militares de José de San Martín e Simón Bolívar. Durante os primeiros anos da República, lutas endêmicas pelo poder entre líderes militares causaram instabilidade política. Ou seja, ninguém queria lutar pela independência, mas quando ela veio, todos queriam o poder. 

Quando a Bolívia foi atacada pelo Chile por questões de taxações de empresas chilenas que operavam minas em seu território o Peru teve que entrar em guerra junto com a Bolívia contra o Chile porque os dois países tinham um acordo de proteção mútua. O Peru, sabendo que o poderio do Chile era superior ao da dupla, tentou uma solução diplomática, mas não teve jeito. O pior foi que a participação da Bolívia no conflito foi ridícula e o Chile só teve trabalho em conflitos com o Peru. No final, o Chile ganhou o conflito em todas as frentes. Ficou com a única saída para o mar da Bolívia, levou uma parte do território Peruano e ainda saqueou Lima. 

Depois da guerra, a situação do Peru que já era ruim ficou ainda pior e uma crise sucedeu a outra. Em 1968 as forças armadas deram um golpe e estabeleceu uma ditadura. Mas em 1975, o próprio sucessor do primeiro presidente militar, que não havia conseguido grandes coisas no país, promoveu a volta da democracia. 

Durante a década de 1980, o Peru enfrentou uma considerável dívida externa, inflação crescente, um aumento no tráfico de drogas e violência política maciça. Cerca de 70.000 pessoas morreram durante o conflito entre forças do Estado e os guerrilheiros do Sendero Luminoso. Com a presidência de Alberto Fujimori (1990-2000), o país começou a se recuperar, no entanto, as acusações de autoritarismo, corrupção e violações dos direitos humanos forçaram sua renúncia após a polêmica eleição de 2000. Desde o fim do regime de Fujimori, o Peru tenta lutar contra a corrupção, enquanto mantém um bom crescimento econômico.